Alice Caymmi lançou no dia 30 de abril, data que

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Alice Caymmi lançou no dia 30 de abril, data que marca o 112º aniversário do compositor Dorival Caymmi, o álbum “Caymmi”, com releituras de 12 músicas de seu avô. O projeto propõe um novo olhar sobre a obra do compositor baiano, alinhando tradição e inovação musical.

O álbum, produzido por Iuri Rio Branco, integra elementos da latinidade, mas sem seguir tendências atuais do mercado latino, como o reggaeton. Em vez disso, Alice trabalha com uma latinidade vintage, incorporando ritmos como salsa e calypso. Exemplos são as faixas “Canção da partida” e “Maracangalha”, que ganham arranjos diferentes, deslocando a batida do samba para outras referências rítmicas.

A influência jamaicana também está presente no disco, especialmente no reggae de “Modinha para Gabriela” e “O que é que a baiana tem?”. O cruzamento de referências entre Kingston e Salvador sustenta a construção do álbum, reforçando as conexões culturais entre a Bahia e a Jamaica. Nesse contexto, o ijexá, ritmo ligado ao candomblé, aparece em “Dois de fevereiro”, adicionando outra camada de ancestralidade aos arranjos.

No repertório, algumas canções destacam o diálogo entre a tradição e a releitura pessoal de Alice. “Canto de Obá” evoca elementos religiosos ao pedir proteção para a família, enquanto “Acalanto” mantém o tom mais suave do original, embora não tenha recebido modificações marcantes. Outros temas, como “Dora” e “Adeus”, exploram nuances vocais e atmosferas diferentes, incluindo a introdução do trip-hop em “Adeus”.

A voz grave de Alice foi utilizada para preservar a conexão com o universo cantado por Dorival, principalmente nos sambas e boleros conhecidos do compositor. Em faixas como “O bem do mar” e “Morena do mar”, o refinamento instrumental aparece com contribuições de músicos como Doug Bone e Theo Silva, e elementos de produção digital de Iuri Rio Branco. O resultado evita a armadilha de um som excessivamente moderno e mantém o respeito pelas melodias originais.

A transformação do samba “Eu não tenho onde morar” em uma versão com cadência de reggae e dub ressalta o trabalho de revitalização, sem descaracterizar a letra original. Esse equilíbrio entre inovação e respeito ao cancioneiro é a tônica do álbum.

Com “Caymmi”, Alice Caymmi amplia a tradição familiar ao oferecer um olhar contemporâneo e ao mesmo tempo enraizado na ancestralidade musical de Dorival Caymmi. O álbum contribui para manter viva a obra do compositor, dialogando com novas gerações e contextos sociais.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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