As contas públicas brasileiras registraram um déficit primár

As contas públicas brasileiras registraram um déficit primário de R$ 80,7 bilhões em março de 2026, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira (30). O resultado negativo ocorreu porque as despesas do governo superaram as receitas com tributos e impostos no período, afetando o setor público consolidado, que inclui governo federal, estados, municípios e empresas estatais.

Em comparação a março de 2025, quando foi registrado superávit primário de R$ 3,6 bilhões, houve uma piora significativa nas contas públicas. O déficit foi composto principalmente por um saldo negativo de R$ 74,8 bilhões no governo federal e R$ 5,4 bilhões nos estados e municípios. As empresas estatais mostraram superávit de R$ 469 milhões.

A Secretaria do Tesouro Nacional apontou que a principal causa para a piora do resultado foi a antecipação dos pagamentos de precatórios neste ano. Precatórios são sentenças judiciais que o governo é obrigado a pagar, e a antecipação desses valores elevou as despesas no curto prazo.

No acumulado dos três primeiros meses de 2026, as contas públicas apresentaram superávit primário de R$ 6,62 bilhões, o que corresponde a 0,21% do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado é inferior ao superávit registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 88,7 bilhões, equivalente a 2,93% do PIB.

O governo federal, isoladamente, saiu de um superávit de R$ 52,32 bilhões nos primeiros três meses de 2025 para um déficit de R$ 17,04 bilhões no mesmo período de 2026. A antecipação no pagamento de precatórios também foi citada como o principal fator por trás dessa mudança.

Para 2026, a meta fiscal estipula um déficit de até 0,25% do PIB, ou cerca de R$ 34,3 bilhões. Segundo o arcabouço fiscal aprovado em 2023, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual na meta, permitindo que o resultado fique entre zero e um superávit de R$ 68,6 bilhões para ser considerado válido.

Além disso, o governo pode excluir até R$ 63,5 bilhões em despesas desse cálculo, utilizando esses recursos para pagamento de precatórios e outras despesas como defesa e educação.

Considerando o pagamento dos juros da dívida pública, o setor público registrou déficit nominal de R$ 199,5 bilhões em março. No acumulado dos últimos 12 meses até março, o déficit nominal chegou a R$ 1,21 trilhão, equivalente a 9,4% do PIB.

Este dado é monitorado pelas agências de classificação de risco, que influenciam a nota de crédito do país e, consequentemente, as condições para investimentos e financiamento externo.

O déficit nominal é impactado pelo resultado das contas públicas, intervenções do BC no câmbio e pela taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,5% ao ano, nível considerado elevado para conter a inflação.

Segundo o Banco Central, as despesas com juros nominais alcançaram R$ 1,08 trilhão em doze meses até março, o equivalente a 8,35% do PIB. Esse montante contribui significativamente para o aumento da dívida pública.

A dívida bruta do setor público consolidado subiu para cerca de 80% do PIB, refletindo o crescimento dos déficits e das despesas com juros. O cenário fiscal atual representa um desafio para a gestão das contas públicas e para a sustentabilidade da dívida no médio prazo.

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Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

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