O preço do petróleo subiu pelo oitavo dia consecutivo nesta quarta-feira (28), alcançando US$ 117 o barril, o maior valor em quase quatro anos, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep. Os investidores monitoram o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e as mudanças na organização dos países produtores.
O petróleo tipo Brent, referência para Europa e Ásia, registrou alta de 5,80%, cotado a US$ 117,71 por barril, valor não visto desde junho de 2022. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 5,63%, chegando a US$ 105,56. A valorização reflete preocupações com o fornecimento global diante do cenário político.
A escalada nos preços ganhou força após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar o Irã em publicações nas redes sociais, criticando a proposta de acordo apresentada pelo país para encerrar o conflito. Trump afirmou que o Irã não sabe como assinar um acordo que não seja nuclear e indicou que uma resposta americana deve ser dada nos próximos dias.
Além das tensões geopolíticas, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio também contribui para a incerteza no mercado. O ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a decisão à agência Reuters, justificando-a como resultado de uma análise estratégica das políticas energéticas do país.
Os Emirados, membros da Opep desde 1967, são a quinta maior reserva de petróleo do mundo. A saída ocorre em meio a um conflito regional que afeta a produção e exportação de petróleo, especialmente devido a ataques e ameaças perto do Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de 20% do petróleo mundial.
Mazrouei afirmou que a decisão não foi discutida com a Arábia Saudita ou outros países, destacando que a decisão envolve políticas nacionais e estratégias de produção. Apesar da saída, ele minimizou o impacto imediato no mercado devido às dificuldades atuais de exportação pelo Golfo.
A saída dos Emirados da Opep representa um enfraquecimento potencial do grupo, que busca manter unidade para controlar os preços do petróleo mundial. Analistas indicam que isso pode reduzir a influência da organização sobre o mercado global, sobretudo em um momento de elevada instabilidade regional.
Os Emirados Árabes Unidos são aliados estratégicos dos Estados Unidos e criticaram a resposta de outros países árabes e do Conselho de Cooperação do Golfo aos ataques iranianos. Anwar Gargash, conselheiro diplomático dos Emirados, afirmou que o apoio político e militar à defesa do Golfo tem sido historicamente fraco, demonstrando desapontamento com a posição da Liga Árabe e do próprio conselho.
Essa conjuntura fortalece a posição do presidente Trump, que vinha acusando a Opep de explorar o mercado ao manter preços altos e criticando a necessidade dos EUA de garantir a segurança na região enquanto são “explorados” economicamente pelos produtores de petróleo.
O cenário político e militar no Oriente Médio continua sendo o principal fator para a alta dos preços do petróleo, afetando o mercado mundial e os custos do combustível para consumidores e indústrias. O panorama deve permanecer instável até que haja avanços nas negociações internacionais e redefinições na política de produção da Opep.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

