O Ministério do Trabalho estima que 4,56 milhões

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O Ministério do Trabalho estima que 4,56 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial entre 2026 e 2030 em decorrência das mudanças nas regras para a concessão do benefício. A alteração, que será implantada a partir de 2026, restringirá o acesso ao abono ao limitar a renda máxima dos beneficiários, reajustada apenas pela inflação.

Até 2025, o abono salarial era pago anualmente a trabalhadores que recebiam até dois salários mínimos e que haviam trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias no ano-base. Com as novas regras, a renda máxima para acesso ao benefício será corrigida pela inflação, enquanto o salário mínimo terá ganho real.

Essa transição gradual fará com que, em 2030, apenas trabalhadores que recebam até 1,77 salário mínimo tenham direito ao abono. A restrição progressiva fará com que o número de beneficiários caia ano após ano. Em 2026, cerca de 559 mil trabalhadores perderão o benefício; em 2027, essa redução será de 1,58 milhão, chegando a 4,56 milhões em 2030.

Embora o número de beneficiários diminua, o gasto total com o abono deverá aumentar. O Ministério do Trabalho projeta que o número de trabalhadores com carteira assinada crescerá de 59,86 milhões em 2026 para 67 milhões em 2030. Com isso, a despesa anual com o abono passará de R$ 34,36 bilhões para R$ 39,27 bilhões no mesmo período.

O governo justifica as mudanças pela necessidade de garantir a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a responsabilidade fiscal a longo prazo. Segundo o Ministério do Trabalho, a transição busca focar o abono na parcela da população com menor renda e assegurar o equilíbrio social do benefício.

Especialistas avaliam que o abono salarial não cumpre plenamente seu papel social. Análise do economista Fabio Giambiagi destaca que o benefício não combate o desemprego ou a miséria, pois é pago a quem já está empregado e não está entre os 20% mais pobres da população. Giambiagi também aponta que o abono não reduz a informalidade, já que beneficia trabalhadores formais.

Estudo da equipe econômica do governo anterior, liderada por Paulo Guedes, indicou que o abono concentra-se majoritariamente nas camadas de renda média, com impacto limitado na redução da desigualdade e da pobreza geral. A equipe chegou a considerar mudanças para destinar recursos ao Renda Brasil, mas o projeto foi arquivado.

O abono salarial permanece como um benefício relevante, mas gera debates sobre sua eficiência e foco social diante dos custos crescentes e das restrições impostas pela nova regra. O cenário aponta para uma redução gradual do público contemplado, alinhada a políticas de controle fiscal e ajuste dos programas sociais.

Palavras-chave relacionadas: abono salarial, Ministério do Trabalho, mudanças nas regras, benefício trabalhista, Fundo de Amparo ao Trabalhador, carteira assinada, salário mínimo, economia fiscal, sustentabilidade financeira, benefícios sociais, mercado formal, desigualdade social, gastos públicos.

Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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