Mais de 70 democratas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pediram ao presidente Donald Trump que proíba montadoras chinesas de fabricar ou vender carros no país, dizendo que a entrada dessas empresas representa um risco estratégico. O pedido foi formalizado na terça-feira (28), em meio a debates sobre segurança nacional e comércio internacional.
O grupo de legisladores, liderado por Debbie Dingell e Ro Khanna, afirmou que é importante manter a proibição que já conta com apoio de montadoras americanas e estrangeiras, além de setores ligados à indústria automotiva. Eles argumentam que a indústria automobilística dos EUA não deve ser cedida a um concorrente estratégico com intenções de dominação global.
Em janeiro, Donald Trump chegou a demonstrar abertura para que montadoras chinesas construíssem veículos nos Estados Unidos, afirmando que a criação de fábricas locais gera empregos para americanos. Ele declarou, durante evento do Detroit Economic Club, que “se quiserem entrar e construir uma fábrica e contratar você, seus amigos e seus vizinhos, isso é ótimo”.
No início do mês, três senadores democratas enviaram uma carta a Trump, antes da cúpula com o presidente chinês Xi Jinping, marcada para o mês seguinte. O texto reiterou a necessidade de impedir a entrada das montadoras chinesas no mercado americano, ressaltando preocupações com a segurança da indústria automotiva nacional.
O governo do presidente Joe Biden impôs regras que, na prática, proíbem a venda de carros chineses nos EUA a partir de janeiro de 2025. A medida é motivada por preocupações com a segurança nacional, especialmente em relação à coleta de dados sensíveis dos proprietários americanos por veículos fabricados na China.
Além das restrições regulatórias, há tarifas elevadas para carros chineses no mercado americano. Apesar disso, pesquisas recentes indicam que consumidores nos EUA demonstram interesse crescente por esses veículos importados.
A Casa Branca declarou que o governo está comprometido em incentivar investimentos na indústria automotiva nacional, mas que tal compromisso não representa uma ameaça à segurança nacional. “Qualquer ideia de que comprometeríamos nossa segurança nacional para isso é infundada e falsa”, afirmou o comunicado oficial.
No mês passado, associações que representam quase todas as grandes montadoras dos Estados Unidos solicitaram ao governo que mantenha as montadoras chinesas fora do mercado americano. O setor automotivo acompanha atentamente as negociações e propostas legislativas relacionadas ao tema.
Também em maio, o senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, anunciou a intenção de apresentar um projeto de lei que impeça, de forma definitiva, a entrada de automóveis chineses no mercado dos EUA. A proposta inclui restrições a hardware, software e parcerias industriais com empresas chinesas.
A pressão por medidas restritivas reflete uma preocupação generalizada sobre os impactos econômicos e de segurança gerados pela presença da indústria automotiva chinesa nos Estados Unidos, principalmente em um momento de disputa comercial e tecnológica entre os dois países.
Palavras-chave relacionadas:
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Fonte: g1.globo.com
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