Em 2025, o Brasil importou 88% dos fertilizantes

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Em 2025, o Brasil importou 88% dos fertilizantes usados na agricultura e adquiriu 45,5 milhões de toneladas, tornando-se o maior importador mundial, aponta relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios. Cerca de 45% desses adubos vieram de países em conflito, como Rússia, Bielorrússia e Irã, elevando os riscos para a produção agrícola nacional.

O país depende fortemente dos fertilizantes para manter sua posição como uma das maiores potências agrícolas globais, líder na produção e exportação de soja, carne bovina, café e açúcar. A instabilidade política e geopolítica nos principais países fornecedores tem causado aumento dos preços e insegurança no abastecimento.

O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022, elevou os custos dos fertilizantes, especialmente porque a Rússia responde por cerca de 23% do total importado pelo Brasil. Recentemente, a guerra no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel também provocou alta no preço da ureia, com aumento de 67% entre o começo do conflito e abril de 2026.

Esses choques impactam diretamente os custos da próxima safra, podendo pressionar os preços dos alimentos no mercado interno. A atual safra, porém, foi pouco afetada porque parte dos fertilizantes usados foram adquiridos antes desses eventos.

A maior dependência está no potássio, nutriente com 96% do consumo atendido por importações. O Brasil produz internamente apenas 4% do potássio consumido e importa principalmente cloreto de potássio, utilizado em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar. O país possui reservas, como a Mina de Autazes no Amazonas, que poderia abastecer até 20% da demanda, mas enfrenta desafios ambientais e com territórios indígenas para sua exploração.

A dependência de nitrogênio também é alta, próxima a 95%, com a maioria da ureia importada. A produção nacional é limitada pelo alto custo do gás natural, insumo fundamental para a síntese do fertilizante. A venda das fábricas de fertilizantes nitrogenados (FAFENs) da Petrobras em 2013 reduziu a capacidade produtiva do Brasil. Em resposta, a estatal planeja retomar a operação dessas unidades na Bahia e Sergipe em 2026, além de reativar uma fábrica no Paraná.

O fósforo apresenta menor dependência, com cerca de 72% importado. O país possui reservas significativas, especialmente em Minas Gerais, Goiás e Ceará, que são exploradas regularmente. Projetos como a mina de Itataia (CE) e a fábrica da EuroChem em Minas Gerais, inaugurada em 2024, ajudam a fortalecer a produção nacional de fertilizantes fosfatados para o mercado interno.

O relatório da Cogo destaca que a vulnerabilidade causada pela dependência de fertilizantes importados de países em conflito não é mais um risco teórico, mas já se confirmou em episódios recentes. O contexto internacional deve continuar pressionando o agronegócio brasileiro, exigindo medidas para reduzir essa dependência e ampliar a produção interna.

Palavras-chave: fertilizantes, importação, agronegócio brasileiro, potássio, ureia, fósforo, conflito internacional, segurança alimentar, produção agrícola, Brasil.

Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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