Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da

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Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) aponta que a inteligência artificial (IA) já reduz a oferta de empregos para jovens de 18 a 29 anos no Brasil, principalmente em setores como informação, comunicação e financeiro, afetando também a formação profissional. A pesquisa revela queda de quase 5% nas chances de emprego para essa faixa etária desde a popularização da IA generativa a partir de 2023.

A análise identifica que jovens desempenham funções mais burocráticas e repetitivas, como elaboração de tabelas, gráficos e resumos, atividades que a IA substitui de forma mais rápida e eficiente. Profissionais mais experientes, com mais de 30 anos, sofrem menos impacto, uma vez que seus cargos demandam maior responsabilidade e capacidade de análise, aspectos ainda pouco substituíveis por máquinas.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) do IBGE confirmam que os grupos entre 30 a 44 anos e 45 a 59 anos tiveram pouca ou nenhuma redução na empregabilidade. Segundo o pesquisador-associado Daniel Duque, do FGV Ibre, a adoção acelerada de tecnologias de IA está provocando mudanças rápidas no mercado de trabalho, em comparação com outras inovações anteriores, como o computador e a internet.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford, nos Estados Unidos, observaram queda de até 20% no recrutamento de jovens desenvolvedores em setores que adotam intensamente a IA. Na França, estudo do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) mostrou que empresas já delegam à IA tarefas antes realizadas por profissionais juniores, aumentando a substituição dessa parcela da força de trabalho.

O Brasil apresenta maior vulnerabilidade quanto à substituição direta da mão de obra jovem pela IA, principalmente devido à baixa qualificação técnica. Para que o trabalho seja complementar à tecnologia, é necessário domínio e integração da IA às atividades profissionais, algo ainda limitado. Em contrapartida, países desenvolvidos tendem a ter uma transição mais gradual, com maior adaptação dos trabalhadores às tecnologias.

Além da redução do emprego, o uso intensivo da IA também ameaça a formação dos futuros profissionais sêniores. Relatórios da Associação Nacional de Recursos Humanos da França indicam que empresas têm reduzido o número de estagiários para incentivar o uso da IA entre funcionários já experientes. Essa mudança pode comprometer o desenvolvimento de competências essenciais, como liderança e tomada de decisões, adquiridas no início da carreira.

Duque destaca que a experiência inicial no mercado é fundamental para o crescimento profissional, e a diminuição dessas oportunidades pode prejudicar a formação de líderes futuros. Caso os jovens sejam afastados cedo demais de funções práticas, eles perderão chances de aprendizado e crescimento, dificultando a transição para posições de maior responsabilidade.

Com a perspectiva de que a IA evolua a ponto de assumir decisões complexas, há dúvidas sobre a necessidade futura de mão de obra humana em certos segmentos. Por isso, pesquisadores alertam para a importância de democratizar o acesso à IA e garantir que seus benefícios sejam distribuídos equitativamente, para evitar o aumento das desigualdades no mercado de trabalho.

A adaptação ao avanço tecnológico requer políticas públicas e iniciativas privadas focadas na qualificação, inclusão digital e novas formas de integração entre trabalhadores e IA. O Brasil enfrenta o desafio de preparar sua força de trabalho para um cenário em constante transformação, equilibrando progresso tecnológico e manutenção de oportunidades de emprego e desenvolvimento profissional.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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