O calor extremo está ameaçando a produção de alimentos no mundo, afetando mais de 1 bilhão de pessoas, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado em 2024. As ondas de calor, cada vez mais frequentes e intensas, comprometem a agricultura, a pecuária, a pesca e as florestas globais.
O documento destaca que o aumento das temperaturas reduz a produtividade das principais culturas agrícolas e coloca em risco os meios de subsistência de agricultores, pescadores e silvicultores. Dados recentes indicam que 2025 está entre os três anos mais quentes já registrados, o que tem intensificado fenômenos climáticos severos.
“O calor extremo está redefinindo o que e quando os agricultores podem cultivar, além de determinar se ainda podem trabalhar”, afirmou Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas da FAO. Ele ressaltou que a combinação do calor com secas prolongadas e ondas de calor recordes tem causado perdas significativas em diversas regiões, como no Marrocos, onde a produção de cereais caiu mais de 40% após seis anos consecutivos de seca.
O relatório alerta que, quando as temperaturas ultrapassam cerca de 30 graus Celsius, a produtividade da maioria das culturas principais diminui drasticamente. Além disso, as ondas de calor marinhas, que afetaram 91% dos oceanos em 2024, reduzem os níveis de oxigênio na água e ameaçam a pesca.
Os impactos do calor extremo também se refletem na intensificação de incêndios florestais, surtos de pragas e redução da segurança alimentar. Com o aquecimento global, prevê-se que a frequência e intensidade desses eventos aumentem consideravelmente. O relatório indica que eventos extremos de calor podem dobrar em intensidade com 2 graus Celsius de aquecimento e multiplicar por quatro a 3 graus, em relação a um aumento de 1,5 grau.
Além disso, Kaveh Zahedi afirmou que para cada grau adicional na temperatura média global, a produção dos principais grãos — milho, arroz, soja e trigo — diminui em cerca de 6%. Essa queda acentua a vulnerabilidade dos sistemas agroalimentares e a insegurança alimentar global.
A FAO e a OMM apontam que as respostas atuais para enfrentar o problema são fragmentadas e insuficientes. Elas recomendam melhorar a governança de riscos e ampliar os sistemas de alerta meteorológico, para que agricultores e pescadores possam planejar suas atividades com base em dados precisos.
Zahedi destacou a necessidade de fornecer informações confiáveis aos produtores rurais: “Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam e quando colhem.” Essa estratégia pode ajudar a mitigar alguns dos efeitos do calor extremo no setor agrícola.
Apesar disso, o relatório enfatiza que a adaptação não é suficiente para garantir a segurança alimentar no futuro. A única solução duradoura, segundo as agências da ONU, é uma ação coordenada e ambiciosa para conter as mudanças climáticas e limitar o aumento da temperatura global.
A publicação reforça que a resposta global deve incluir medidas urgentes para reduzir emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a resiliência dos sistemas agropecuários. Sem essas ações, os riscos à produção de alimentos e à saúde de populações vulneráveis tendem a crescer.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

