Uma jovem evangélica de 16 anos teve sua imagem manipulada

Imagem: s2-g1.glbimg.com

Uma jovem evangélica de 16 anos teve sua imagem manipulada por um influenciador digital que usou inteligência artificial (IA) para criar vídeos com conotação sexual dentro das igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB) em São Paulo. O caso, ocorrido em 2025, está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo sob suspeita de crime contra menores.

Jefferson de Souza, de 37 anos, é acusado de usar técnicas de deepfake para inserir fotos de adolescentes e outras jovens evangélicas em vídeos que as mostram em cenas de erotização. O material foi publicado em suas redes sociais, onde ele soma quase 50 mil seguidores. A investigação apura se ele também cometeu difamação contra as vítimas.

A adolescente declarou ao g1 que a fotografia manipulada foi tirada durante um momento de fé em frente ao altar da CCB do Brás, no Centro de São Paulo, e que não autorizou o uso da imagem. Segundo ela, o episódio alterou seu comportamento, gerando receio e evitando tirar fotos. Nem a identidade nem os rostos das vítimas foram divulgados para preservar sua privacidade.

O caso veio à tona em fevereiro após a jovem e sua família registrarem denúncia na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. No vídeo criado por Jefferson, além da adolescente, outras três mulheres aparecem em poses consideradas sensuais, vestindo roupas como minissaias, pouco comuns nos cultos da CCB.

A mãe da vítima relatou o impacto emocional do caso e alertou para o alcance das publicações, que envolveria várias jovens da congregação. O pai reforçou a gravidade da manipulação das imagens e a necessidade de cessar práticas que envolvam menores. A família entrou com ação judicial para pedir indenização por danos morais.

A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pelo caso, reforçou que as leis do mundo real valem também para o ambiente virtual e pediu para que outras vítimas procurem a delegacia. O inquérito foi encaminhado da 8ª DDM da capital para a 2ª Vara da Comarca de Lençóis Paulista, onde Jefferson reside.

Outro relato de vítima ouvida pela reportagem indica que o influenciador também manipulou sua imagem para criar vídeos com conteúdos sexuais, inserindo personagens como o apresentador Silvio Santos. As publicações foram feitas no canal “Humor do Crente” do YouTube e em perfis no Instagram, Facebook e TikTok.

Especialistas consultados afirmam que o uso de IA não diminui a responsabilidade de quem produz ou divulga conteúdos manipulados. Segundo a pesquisadora Laura Hauser, o foco deve ser no autor da agressão, não nas vítimas. Juliana Cunha, diretora da SaferNet, destacou a importância de não culpabilizar as vítimas e a necessidade de dados para influenciar políticas públicas.

Jefferson Souza negou as acusações em depoimento e disse desconhecer que uma das jovens fosse menor de idade. Embora admita usar fotos das fiéis para criar seus vídeos, afirmou que o conteúdo é humorístico e que criticava as roupas usadas nas igrejas por considerar inadequadas à doutrina da congregação. Em vídeo recente, ele pediu desculpas pelos vídeos críticos à CCB, mas não mencionou as manipulações com deepfake.

A Congregação Cristã do Brasil declarou que apoia as medidas legais cabíveis e reforçou o respeito à individualidade das pessoas envolvidas. As plataformas digitais informaram adotar políticas rigorosas contra exploração sexual infantil e remover conteúdos que violem suas diretrizes.

O caso reabre o debate sobre o uso ilegal da inteligência artificial para manipular imagens de menores e a necessidade de maior fiscalização na internet para proteger vítimas de crimes virtuais.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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