O rapper baiano Hiran, de 31 anos, sofreu ataques homofóbico

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O rapper baiano Hiran, de 31 anos, sofreu ataques homofóbicos e ameaças de morte após lançar o álbum “Imundo”, na última sexta-feira (17), que discute a homofobia na cena do rap brasileiro. O cantor afirma que a reação violenta confirma as denúncias feitas em suas músicas.

O disco, composto por 13 faixas, aborda homofobia e xenofobia no rap nacional. Na música “Rap Não”, Hiran confronta o boicote que enfrentou no início da carreira por ser homossexual. Segundo ele, a pressão para se afastar do gênero foi grande, e parte do público rejeita artistas LGBTQ+.

Hiran relatou que as mensagens de ódio começaram poucos minutos após a divulgação da nova música. Ele recebeu ameaças de morte e comentários homofóbicos nas redes sociais, que também atingiram perfis pessoais da sua família. Apesar disso, ele optou por não registrar queixa e buscou proteção espiritual junto ao pai de santo.

Natural de Alagoinhas, cidade a cerca de 100 km de Salvador, Hiran iniciou no rap em 2018 com o álbum “Tem Mana no Rap”. Apesar do reconhecimento de artistas consagrados da MPB como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Carlinhos Brown, ele não conseguiu espaço nos principais eventos de hip hop. Segundo o rapper, os organizadores temiam a reação do público ao ver um rapper abertamente gay entre os artistas.

Com o bloqueio na cena do rap, Hiran direcionou sua carreira ao pop, lançando o disco “Anjo” em 2020, que lhe trouxe oportunidades financeiras e shows internacionais. O sucesso permitiu que ele reformasse a casa da mãe e vivesse experiências profissionais desejadas.

Em 2025, a morte do pai, vítima de parada cardíaca, provocou uma mudança de foco em sua carreira. Hiran decidiu voltar às raízes do rap e tratar diretamente das questões que enfrenta, abandonando o projeto mais comercial que vinha preparando.

O álbum “Imundo” reúne parcerias com artistas como Luedji Luna, Tássia Reis e Tom Veloso. Na faixa-título, o rapper sintetiza o sentimento de exclusão vivenciado: “Mesmo que muito limpo, eu sou sujo no seu mundo”. Ele define o disco como um “acerto de contas” com o cenário do rap e um posicionamento diante do vazio deixado por rappers LGBTQ+ que assumam sua orientação.

Embora tenha expressado medo após os ataques, Hiran reforça a intenção de ocupar o espaço LGBTQ+ dentro do rap. Ele destaca a falta de referências assumidamente gays no gênero e se propõe a mudar essa realidade.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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