Zélia Duncan e Fitti se apresentaram nos dias 15 e 16 de abril de 2026 no Teatro Iguatemi, em São Paulo, com o show “Zélia & Fitti ⟺ Angela & Cauby”, que homenageia as trajetórias dos cantores Angela Maria e Cauby Peixoto. O espetáculo resgata o universo sentimental e melodramático dos dois artistas que marcaram a música brasileira na era do rádio.
O roteiro, elaborado pelo DJ Zé Pedro, buscou captar a “virtude do exagero” presente nas interpretações de Angela Maria (1929–2018) e Cauby Peixoto (1931–2016), usando repertório que atravessa canções dos anos 1950 a 1980. A direção musical e cênica ficou a cargo de José Maurício Machline e Giovanna Machline, que apostaram em uma alternância de tons e figurinos em preto e branco para reforçar o contraste de gêneros e emoções no palco.
No início do show, Zélia Duncan entrou pelo corredor da plateia cantando “Amendoim torradinho”, abrindo com um número que destacou a fluidez da direção. A cantora explorou registros graves e interpretou canções como “A pérola e o rubi” e “Bolero de Satã” com destaque, embora a emoção tenha apresentado variações, sobretudo em “Matriz ou filial”, que soou menos expressiva.
Fitti, que inicialmente pareceu ofuscado pela presença de Zélia, ganhou força vocal e presença cênica ao longo da apresentação. O cantor mostrou amplitude vocal com interpretações de “Que será?” e do mambo “Babalu”, consolidando sua projeção com um ritmo contagiante. Entre as intervenções, ele também interpretou a guarânia “Cabecinha no ombro”, trazendo um toque regional ao repertório.
O roteiro, que inclui momentos de diálogo informal e recitação de letras, foi apontado como excessivamente didático, com algumas passagens consideradas intrusivas à fluidez do espetáculo. No entanto, as músicas e o entrosamento nos duetos, como em “Miss Suéter” e “Tango pra Tereza”, destacaram-se como pontos altos do show, evidenciando a sinergia vocal entre os intérpretes.
Os figurinos em preto e branco, assinados por Rober Dognani, complementaram a atmosfera proposta pela direção, contribuindo para a construção visual do espetáculo. A direção musical de Webster Santos garantiu a afinação entre solos e duetos, resgatando composições como “Brigas”, “Somos iguais” e “Bastidores”, repertório que reforça o contexto histórico e afetivo das obras.
Embora nem Zélia Duncan nem Fitti sejam cantores típicos do melodrama característico de Angela Maria e Cauby Peixoto, o contraste entre suas interpretações e o estilo original dos homenageados compôs a identidade do show. O espetáculo apresenta potencial para futuras exibições, desde que o roteiro seja ajustado para eliminar excessos e valorizar o que há de mais autêntico na memória afetiva desse período da música brasileira.
“Zélia & Fitti ⟺ Angela & Cauby” revive um tempo marcado por performances carregadas de emoção e requinte vocal, desafiando modismos atuais e oportunizando uma nova leitura do repertório clássico. A experiência no Teatro Iguatemi reafirma a importância da preservação e reinterpretação da história da música popular brasileira.
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Fonte: g1.globo.com
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