A Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, apura diariamente o principal indicador do preço comercial do café no Brasil desde 1996 para orientar o mercado e influenciar as exportações do grão. A coleta dos dados é feita por meio de contato direto com cooperativas de café em todo o país, que fornecem os preços da saca vendida pelos produtores.
O analista Victor Hugo Abreu, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), inicia a pesquisa ligando para essas cooperativas para obter informações sobre preços e possíveis variações. A apuração ocorre três vezes ao dia, alinhada aos fusos horários internacionais que afetam o mercado, com atualizações pela manhã e à tarde, correspondendo aos horários de Londres e da bolsa de Nova Iorque.
O indicador da Esalq não reflete o preço final ao consumidor nos supermercados, mas sim o valor da saca de café comercializada entre produtores e cooperativas. Essa referência é fundamental para o comércio interno e para a exportação, pois influencia diretamente o valor nas prateleiras e as decisões de mercado.
O mercado do café é dinâmico e sujeito a oscilações frequentes, inclusive dentro do mesmo dia. Mudanças no cenário cambial impactam diretamente a precificação, pois variações no câmbio podem alterar as condições de compra e venda do grão. Essa instabilidade é acompanhada em tempo real pela equipe de analistas da USP.
Durante as entrevistas, são consultados preços para diferentes tipos de café, como os tipos 6, 7, 8 e Arábica Rio. A metodologia adotada é direta e simples, buscando compreender os motivos das alterações nos preços e garantir um monitoramento preciso e confiável das variações.
Historicamente, o maior valor registrado para a saca de 60 kg ocorreu no início de 2025, quando atingiu R$ 2.769, refletindo um período de alta no mercado. A média do primeiro trimestre daquele ano foi de R$ 2,5 mil por saca, enquanto em 2024 a média entre janeiro e março caiu para cerca de R$ 1,7 mil. O menor preço já registrado ocorreu em 2002, na casa dos R$ 500.
Para o segundo semestre de 2024, a expectativa é de que o preço do café possa cair com o início da colheita em julho, o que pode impactar o mercado e a cadeia de consumo do produto no Brasil. Esses dados são fundamentais para produtores, compradores e para toda a cadeia produtiva do café no país.
—
Palavras-chave relacionadas: preço do café, Esalq-USP, indicador do café, mercado de café, preço comercial do café, cooperativas de café, Cepea, safra de café, cotação do café, exportação de café.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

