A trend brasileira “Caso ela diga não”, que simula reações violentas a rejeições em pedidos de namoro ou casamento, gerou repercussão na imprensa francesa nesta semana devido à promoção de violência contra mulheres nas redes sociais. Criadores de conteúdo no TikTok têm divulgado vídeos nos quais encenam agressões a manequins ou bonecos, provocando debate sobre a impunidade e o impacto desses atos em um contexto de alta violência contra mulheres no Brasil.
O jornal francês Le Parisien publicou em 13 de maio reportagens ressaltando a circulação crescente desses vídeos violentos na internet brasileira. O diário destaca que homens treinam “ataques” contra bonecos como forma de exercer controle e ameaça diante da rejeição feminina, reforçando um ambiente de escalada da violência. O caso da jovem Alana Anisio Rosa, 20 anos, foi citado como exemplo recente: ela sofreu tentativa de feminicídio em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, após rejeitar um homem que a esfaqueou e espancou.
O agressor, identificado como Luiz Felipe Sampaio, 22 anos, foi preso em flagrante. A mãe de Alana afirmou que ele teria se inspirado em vídeos que mostravam homens “treinando caso ela diga não” no TikTok. Essa modalidade de conteúdo alcança milhares de visualizações, conforme aponta o site francês 20 Minutes, que relaciona a disseminação à crescente incidência de feminicídios, sendo 1.586 ocorridos no Brasil em 2023.
Outro veículo francês, France 24, lembrou de casos recentes envolvendo violência contra mulheres no país. Em janeiro, um acusado de estupro coletivo apareceu em imagens usando uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“não se arrepende de nada”), expressão comum entre influenciadores masculinistas. Em março, o assassinato da policial Gisele Alves Santana ganhou repercussão, já que seu marido, um oficial da polícia militar, foi preso por disparar contra ela, exigindo submissão baseada em uma visão de domínio patriarcal.
A jornalista Mathilde Serrell, em crônica na rádio France Inter, relacionou a trend às realidades violentas do Brasil. Ela citou a série de TV “Adolescência”, que aborda um feminicídio cometido por um adolescente rejeitado, para destacar como a ficção se reflete na vida real, citando especificamente o caso de Alana. Serrell classificou os vídeos como conteúdos que circulam continuamente nas redes sociais, mostrando homens violentos contra representações femininas.
Repercussões contrárias ao movimento “treinando caso ela diga não” também aparecem nas redes sociais e na imprensa francesa. A plataforma Brut, por exemplo, compartilha vídeos que orientam sobre respeitar o “não” das mulheres e criticam a demora das autoridades brasileiras em reprimir os autores dessas gravações. Seguidores questionam a lentidão das instituições em identificar os responsáveis, mesmo quando eles se expõem explicitamente em vídeos. Comentários apontam que esses atos configuram premeditação.
Paralelamente, no Brasil tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei da Misoginia, que visa criar mecanismos legais para combater a violência motivada por gênero. O projeto enfrenta resistência de grupos conservadores que buscam enfraquecer ou desconstruir a proposta.
A ampla cobertura na França reflete a preocupação internacional com o aumento da violência contra mulheres no Brasil, evidenciada pela circulação de conteúdos que incentivam agressões. A discussão pública ressalta a necessidade de ações legais e sociais que confrontem comportamentos violentos e promovam o respeito à autonomia feminina.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

