O Peru realiza neste domingo (12) eleições presidenciais e legislativas em meio a uma crise política que afeta o desempenho econômico do país desde 2018. Apesar de indicadores macroeconômicos positivos, especialistas consideram que a instabilidade política levou a economia a operar em “modo zumbi”, com crescimento abaixo do potencial.
Nos últimos anos, o país passou por uma sucessão de oito presidentes, o que dificultou a formulação e execução de políticas econômicas de longo prazo. A volatilidade no governo também impactou a renovação frequente de ministros da Economia, o que reduz a clareza e segurança para investidores e setores estratégicos, como a mineração.
O Peru manteve estabilidade fiscal, atraiu investimentos estrangeiros e garantiu uma moeda estável, o sol, graças à autonomia do Banco Central de Reserva do Peru (BCRP). A instituição segue uma gestão técnica, distante das disputas políticas, o que tem sido reconhecido como um fator chave para a saúde macroeconômica do país.
Historicamente, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) peruano chegou a 4% ao ano, com picos superiores a 10% em alguns períodos. Entretanto, desde 2018, após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski, o ritmo diminuiu para cerca de 2,3% ao ano, se desconsiderados os impactos da pandemia. Analistas apontam que esse desempenho está abaixo do esperado para o potencial do país.
O impacto mais claro da crise política ficou evidente em 2023, quando a destituição e prisão do presidente Pedro Castillo causaram protestos em todo o país e uma retração econômica de 0,55%. Segundo especialistas, os desafios políticos limitaram o aproveitamento da alta nos preços internacionais do ouro e do cobre, principais commodities do Peru.
A instabilidade também agravou problemas sociais. A taxa de pobreza subiu de 20% em 2019 para 27,6% em 2024, e a renda formal ainda não recuperou os níveis anteriores à pandemia.
Além da instabilidade política, a corrupção e a presença de grupos criminosos ligados à mineração ilegal têm impacto econômico significativo. Em 2023, estima-se que cerca de US$ 11,5 bilhões em ouro foram exportados de forma ilegal, valor equivalente às exportações da agroindústria peruana de 2014.
Neste ano eleitoral, o país enfrenta incertezas adicionais, com mudanças previstas no governo e na diretoria do Banco Central. A escolha dos novos membros dependerá do próximo presidente e do Congresso eleito, podendo influenciar a continuidade da estabilidade econômica. Julio Velarde, atual presidente do Banco Central, ocupa o cargo há 20 anos e é visto como um elemento de estabilidade.
O principal desafio para os novos governantes será reverter a estagnação econômica, promovendo crescimento sustentável e coesão social. O cenário internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio e o aumento dos preços do petróleo, também pode afetar a economia peruana nos próximos meses.
Embora o Banco Central projete crescimento de 2,9% para 2024, o desempenho real dependerá das condições internas e externas e da capacidade política de implementar reformas e garantir estabilidade institucional. O futuro econômico do Peru passa pela superação das crises políticas que comprometeram seu potencial de desenvolvimento.
—
Não foi solicitada a lista de palavras-chave para SEO, portanto, segue o texto conforme solicitado.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

