O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo, está praticamente paralisado nesta quinta-feira (9), com o tráfego abaixo de 10% do volume habitual, após o Irã avisar sobre riscos de minas navais e pedir que navios sigam por suas águas territoriais próximas à Ilha de Larak.
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) orientou embarcações a navegarem dentro das águas iranianas no entorno da Ilha de Larak para minimizar riscos. O órgão justificou a medida pelo perigo de minas nas rotas habituais, que ainda não tiveram o trânsito liberado totalmente durante o cessar-fogo de duas semanas firmado entre Irã e Estados Unidos.
Segundo a agência Tasnim, ligada ao Irã, as embarcações devem entrar no estreito ao norte da ilha e sair ao sul, coordenando a passagem com a Marinha da IRGC até segunda ordem. Autoridades iranianas acusam Israel de violar acordos de cessar-fogo, o que teria motivado a nova restrição no tráfego na região.
Dados de rastreamento por plataformas MarineTraffic, Pole Star Global, Kpler, Lloyd’s List Intelligence e Signal Ocean indicaram que apenas seis navios passaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, contra cerca de 140 normalmente. Entre eles, estavam um petroleiro, cinco graneleiros e um navio-tanque químico que se dirigia para a Índia.
A empresa japonesa Mitsui O.S.K. Lines, uma das maiores do setor de transporte marítimo, informou estar avaliando os riscos para seus navios. O CEO, Jotaro Tamura, disse à Reuters que a companhia removeu recentemente três navios-tanque da região e aguarda orientações do governo japonês para decidir os próximos passos durante o cessar-fogo.
Segundo a firma britânica Ambrey, especializada em segurança marítima, existe um risco real persistente para navios que transitam sem autorização pelo Estreito, especialmente aqueles ligados a Israel e aos Estados Unidos. Embrações com autorização foram impedidas de passar nas semanas recentes, indicou a empresa.
A restrição provoca um acúmulo de navios no Golfo Pérsico. A empresa de rastreamento Kpler informou que mais de 180 petroleiros, carregando cerca de 172 milhões de barris de petróleo e derivados, seguem retidos na região. Especialistas em inteligência de risco, como Torbjorn Soltvedt, afirmam que a cautela deve persistir, e que o período de cessar-fogo pode ser insuficiente para normalizar o tráfego imediatamente.
A decisão do Irã representa uma tensão contínua na região estratégica do Golfo Pérsico, com consequências para o mercado mundial de energia e para a navegação internacional. A conjuntura reflete o estado complexo dos acordos de cessar-fogo e as desconfianças entre os países envolvidos.
Em resumo, o Estreito de Ormuz permanece com tráfego marítimo severamente limitado, sob alerta por riscos de minas e com restrições impostas pelo Irã, que reforça a necessidade de as embarcações transitarem por suas águas territoriais em torno da Ilha de Larak. O cenário deve continuar tenso até que novas negociações ou acordos sejam firmados entre as partes.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com