Afrika Bambaataa
divulgação / instagram do artista
Morreu nesta quinta-feira (9), aos 67 anos, Afrika Bambaataa, um dos grandes nomes da cultura hip-hop. Nos seus mais de 40 anos de carreira, o DJ e MC construiu uma forte relação com o Brasil.
A ligação de Bambaataa com o país nasceu antes mesmo de ele pisar no país. Um dos seus primeiros singles de sucesso, “Planet Rock”, de 1982, feito em parceria com o The Soulsonic Force, foi um dos pilares do que viria a ser o funk carioca.
A base da canção, que usa “Trans-Europe Express”, dos alemães eletrônicos do Kraftwerk, é uma das maiores referências do miami bass.
“Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África”, disse em entrevista ao jornal “O Globo”, em 2010.
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Naquele ano, ele fez uma turnê passando por capitais brasileiras. Dois anos antes, em 2008, ele se apresentou na Virada Cultural, em São Paulo.
“Precisamos de uma revolução no funk carioca. Precisamos falar do que está acontecendo na comunidade, em como sair dessa situação. Ainda dá para dançar, mas é preciso mandar a mensagem”, afirmou em entrevista à revista Rolling Stone, em 2013 — quando também passou pelo país.
Parceria com Fernanda Abreu
“Embaixadora” do funk carioca, Fernanda Abreu lançou em 2016 o álbum “Amor Geral”. Um dos singles desse trabalho foi “Tambor”, parceria com Afrika Bambaataa.
A música ganhou um videoclipe, gravado no Rio de Janeiro e com participação do astro do hip-hop. A canção mistura elementos como o tamborzão e um som de berimbau.
As lições da Zulu Nation
Afrika Bambaataa é o criador da organização Zulu Nation, movimento que cresceu dentro do movimento hip-hop e tinha como missão propagar a paz pelo mundo, falando de música e de Deus.
“A Nação Zulu representa: conhecimento, sabedoria, compreensão, liberdade, justiça, igualdade, paz, unidade, amor, respeito, trabalho, diversão, superação do negativo para o positivo, economia, matemática, ciência, vida, verdade, fatos, fé e a unidade de Deus”.
O grande representante da Zulu Nation no Brasil é Rapin Hood, que propaga as lições da organização nas redes sociais e nas suas apresentações.
Artistas como Marcelo D2 também falam da organização nas suas músicas. Em “Vai Vendo”, Marcelo D2 canta: “Os mandamentos que eu sigo são da Zulu Nation”.
D2 também homenageou Bambaataa em um dos seus álbuns. “À Procura da Batida Perfeita” faz referência direta a “Looking for the Perfect Beat”, do álbum “Planet Rock”.
A morte e o legado de Afrika Bambaataa
Segundo o site TMZ, o rapper e DJ faleceu por complicações de um câncer nesta madrugada.
Bambaataa nasceu no bairro do Bronx no fim dos anos 1950 e, ainda jovem, integrou a gangue Black Spades, onde rapidamente ascendeu até o posto de “warlord” (líder de guerra).
A partir da década de 1970, começou a organizar festas nas quais o hip hop ganhava espaço — eventos que cresceram rapidamente e se transformaram em grandes festas de rua no sul do Bronx.
Seu primeiro single, “Zulu Nation Throwdown”, foi lançado em 1980, fazendo referência à Universal Zulu Nation, coletivo artístico que reunia rappers engajados, grafiteiros, b-boys e outros integrantes da cultura hip hop.
Dois anos depois, em 1982, a faixa “Planet Rock” ganhou destaque e alcançou a 4ª posição na parada de R&B dos Estados Unidos. A música, lançada pela Tommy Boy e produzida com Arthur Baker, sampleou “Trans-Europe Express” do Kraftwerk, criando electro-funk futurista com vocais robóticos. Vendendo milhões, influenciou techno, house e EDM globalmente. Uma das músicas mais importantes do gênero, marcou a fusão de hip-hop com eletrônica.
Segundo o TMZ, nos últimos anos de vida, Bambaataa enfrentou uma série de problemas judiciais após ser acusado por vários homens de abuso sexual ocorrido nas décadas de 1980 e 1990. Em 2025, ele foi obrigado a pagar um acordo a um dos acusadores, que alegou ter sido vítima de tráfico sexual nos anos 1990, após um juiz emitir uma decisão à revelia devido à sua ausência no tribunal.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

