Economia

A guerra no Irã ameaça o abastecimento de fertilizantes esse

A guerra no Irã ameaça o abastecimento de fertilizantes esse
  • Publishedabril 9, 2026

A guerra no Irã ameaça o abastecimento de fertilizantes essenciais para o agronegócio brasileiro, afetando uma cadeia produtiva que responde por 30% do PIB do país. A insegurança surge após ataques na região do Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte internacional de ureia, principal insumo agrícola.

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, mas depende de mais de 90% de fertilizantes importados. A ureia, um composto nitrogenado fundamental para o cultivo em grande escala, chega ao país principalmente por via marítima, passando pelo estreito controlado pelo Irã e outros países do Oriente Médio.

Na última semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas condicionado à passagem segura de navios no Estreito de Ormuz. Apesar da trégua, a situação permanece instável e o comércio de fertilizantes segue sob ameaça.

Historicamente, a Rússia é o principal fornecedor do trio NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) ao Brasil, representando cerca de 25% das importações brasileiras de fertilizantes. O país mantém relação comercial com o Irã, que também é fornecedor importante de ureia e controla rotas marítimas essenciais para os embarques.

A relação comercial entre Brasil e Irã cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo sistema barter, no qual os produtores brasileiros pagam os insumos agrícolas com a própria colheita. Esse modelo logístico permite que navios carreguem milho para o Irã e retornem com fertilizantes, otimizando custos.

O conflito no Irã afeta diretamente essa logística, já que ataques recentes a centros petroquímicos, como o ocorrido em Mahshahr, reduzem a produção local de ureia. Caso a oferta iraniana seja interrompida, o Brasil terá que buscar o produto em outros mercados concorridos, como Índia e Estados Unidos, elevando preços globais.

O aumento nos custos dos fertilizantes impacta toda a cadeia produtiva. Além de afetar o plantio de milho e soja, a alta nos insumos pode resultar no aumento dos preços de carnes, ovos e frango, já que esses grãos são base para rações animais. O boletim Focus do Banco Central registra pessimismo crescente quanto à inflação de alimentos.

A alta dos preços e a pressão sobre os produtores são agravadas pela elevação de tributos, como PIS/Cofins e Funrural, em medidas recentes do governo federal. O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) indica que os produtores precisam de mais sacas de grãos para adquirir a mesma quantidade de adubo.

Especialistas alertam que, no curto prazo, os agricultores podem reduzir o uso de fertilizantes, o que diminui a produtividade por hectare. A médio e longo prazo, a dependência da ureia iraniana coloca em risco a sustentabilidade do setor agrícola brasileiro.

Para minimizar os impactos, o Ministério da Agricultura negociou com a Turquia o uso do território turco para trânsito e armazenamento temporário de cargas, reduzindo a dependência do Estreito de Ormuz. A Petrobras também reativou unidades produtoras de fertilizantes no país, que devem suprir até 35% da demanda nacional nos próximos anos.

No entanto, dirigentes do setor apontam que o Brasil opta por soluções paliativas e mantém a dependência externa. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2023, busca reduzir a dependência para 50% até 2050, com programas como o Profert, que oferece incentivos fiscais para modernização da indústria nacional, mas ainda depende de aprovação no Legislativo.

A situação atual do agronegócio brasileiro reflete fragilidades estruturais e exposições geopolíticas. A continuidade do conflito no Oriente Médio pode agravar a crise dos fertilizantes, afetando a produção agrícola, a cadeia alimentar e a economia do país.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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