O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse é o maior índice já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
O percentual representa um aumento de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro, quando 80,2% das famílias estavam endividadas. Na comparação com março de 2023, cujo índice foi de 77,1%, o crescimento é de 3,3 pontos percentuais.
A CNC alerta que o cenário pode piorar nos próximos meses, especialmente devido aos impactos do conflito no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo, que afetam diretamente o custo de vida das famílias brasileiras. Diante desse contexto, o governo planeja medidas para aliviar a situação dos consumidores endividados.
A Confederação destacou que o endividamento deve continuar avançando até que os efeitos da recente flexibilização da política monetária sejam sentidos pela população. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano em março, mas a mudança demora a surtir efeito e a taxa ainda está elevada, dificultando o acesso ao crédito.
Segundo José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, a alta da Selic representa um desafio tanto para consumidores quanto para empreendedores. Ele ressalta que, apesar da redução gradual dos juros, o volume de famílias endividadas ainda está em crescimento, pois demora até que a queda da taxa repercuta nas condições de crédito.
Além dos juros elevados, a CNC apontou que os aumentos nos preços do diesel e outros combustíveis contribuem para a inflação e para a perda do poder de compra. O encarecimento do transporte implica custos maiores para as empresas, que tendem a repassar esses valores aos preços finais. Isso eleva o uso do crédito pelas famílias para custear despesas básicas.
Para enfrentar esse cenário, o governo federal estuda um programa de refinanciamento das dívidas das famílias brasileiras. A proposta, em definição após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê unir todas as dívidas das pessoas físicas — como cartão de crédito e crédito pessoal — em um único débito.
O novo programa poderá oferecer juros menores e descontos no principal da dívida, que podem chegar a até 80% em alguns casos. A renegociação será feita diretamente com os bancos, com o objetivo de tornar o processo mais rápido e eficiente.
Os bancos receberiam recursos, possivelmente do Fundo de Garantia de Operações, para refinanciar as dívidas e garantir o pagamento mesmo em caso de inadimplência dos consumidores. O público-alvo do programa são as famílias com renda de até três salários mínimos.
O governo tem apontado como prioridade reagir aos efeitos da guerra no Oriente Médio para conter a inflação e implementar o programa de refinanciamento das dívidas. Segundo o presidente Lula, muitas pessoas têm relatado que suas dívidas comprometem quase toda a renda mensal.
O programa pretende reduzir o impacto das dívidas sobre a economia doméstica e dar condições para que as famílias retomem o equilíbrio financeiro em um contexto de custo de vida elevado.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

