Frutas e legumes que seriam descartados viram couro

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Frutas e legumes que seriam descartados viram couro vegetal comestível por meio de uma técnica ensinada pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em Venda Nova do Imigrante, no Sul do estado. O projeto busca gerar renda a agricultores familiares e reduzir o desperdício de alimentos, aproveitando produtos que passaram do ponto ideal para venda.

A técnica consiste na desidratação de frutas e legumes maduros para transformá-los em lâminas finas e flexíveis, semelhantes a “couro vegetal”. Esses produtos podem ser consumidos normalmente e são livres de lactose, glúten e açúcar. Entre as aplicações estão a produção de flores decorativas para bolos e outras criações gastronômicas.

O processo começa com a higienização das frutas que já não possuem valor comercial in natura. Depois, elas são batidas até virar purê e espalhadas em camadas finas sobre uma superfície para desidratação, que dura entre 12 horas e um dia e meio. O resultado é um material maleável, pronto para ser cortado e modelado.

Nos últimos seis meses, o grupo do Ifes testou diferentes frutas como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café. Essas experiências derivaram na criação de uma cartilha técnica para replicar o processo. Dez produtores rurais participaram de uma formação prática de três meses, onde receberam material didático, kits com desidratadores e orientação passo a passo.

“O curso foi totalmente prático, com mão na massa. Cada aula tinha um roteiro detalhado para a produção”, afirmou Michele Nogueira, professora do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), parceira do projeto.

O projeto faz parte do InovaTech, iniciativa da incubadora do Ifes, com apoio do Incaper, Sebrae e fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

Na propriedade de Vanuza Rosa Falqueto, em Venda Nova do Imigrante, a técnica ajudou a aproveitar a produção diversificada, que antes sofria perdas por falta de escala de venda. Ela passou a transformar limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis para agregar valor aos produtos.

Outra produtora local, Maria Dalva Garcia Andrerão, está se preparando para usar jabuticabas para fabricar lâminas. A família já produz geleias e vê a novidade como uma forma de ampliar a renda e diversificar seu portfólio.

Para o extensionista Thiago Monteiro, do Incaper, o diferencial do projeto está na sustentabilidade, pois viabiliza o uso de alimentos fora do ponto ideal para consumo, transformando-os em produtos acabados para venda.

Após as aulas, os participantes recebem acompanhamento técnico para definir preço, embalagem e estratégias comerciais. Essa etapa visa facilitar a inserção dos novos produtos no mercado local.

A expectativa é que as lâminas comestíveis ganhem espaço no comércio regional, ampliando as oportunidades econômicas no campo e contribuindo para a redução de desperdício de alimentos.

Palavras-chave: couro vegetal comestível, desidratação de frutas, reaproveitamento de alimentos, agricultura familiar, sustentabilidade agrícola, projeto Ifes Venda Nova do Imigrante, redução de desperdício, inovação agrícola, frutas descartadas, produção rural capixaba.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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