Em 2 de abril de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de tarifas de importação a quase todos os países, dando início a uma transformação no comércio global. A medida, apelidada de “Dia da Libertação”, estabeleceu uma sobretaxa básica de 10% e tarifas adicionais de até 50% para países com saldo comercial positivo frente aos EUA, como forma de buscar a independência econômica americana.
A decisão provocou reação imediata nos mercados financeiros internacionais. Apesar da suspensão temporária de 90 dias para as tarifas mais altas, que só vigoraram a partir de agosto, o impacto nas cadeias globais de suprimentos foi rápido. Importadores americanos anteciparam as mudanças, aumentando entre janeiro e março de 2025 o volume de bens importados em 20% na comparação com a média dos três anos anteriores, numa tentativa de evitar custos maiores.
Países com tarifas elevadas, como a China, registraram forte queda nas exportações para os EUA. Entre abril e julho, os Estados Unidos importaram 66 bilhões de dólares a menos da China em comparação aos períodos anteriores. Por outro lado, nações com taxas menores ou isenções, como Austrália e alguns países latino-americanos, obtiveram crescimento nas vendas ao mercado americano. Taiwan, Vietnã e Índia também ampliaram seus envios, enquanto os importadores buscavam alternativas para manter o abastecimento.
O Brasil teve uma tarifa adicional de 40% aplicada a partir de agosto, elevando o imposto para 50%, mas essa sobretaxa foi revertida no fim de novembro por decisão do próprio presidente Trump. Embora algumas nações enfrentassem tarifas recíprocas altas, como Taiwan (46%) e Tailândia (36%), continuaram a crescer as exportações para os EUA.
Não houve retorno significativo da produção industrial para solo americano, segundo especialistas. O economista Alex Durante destaca o efeito negativo nas indústrias e empregos locais, com crescimento concentrado em setores protegidos por isenções, como tecnologia e inteligência artificial. O total de importações dos EUA voltou a níveis habituais após o anúncio inicial, mas a arrecadação do governo com tarifas triplicou em 2025, atingindo 287 bilhões de dólares e correspondendo a cerca de 5% da receita fiscal do país.
Estudos indicam que os custos das tarifas foram repassados quase integralmente aos consumidores americanos. Durante estima que as sobretaxas acarretaram uma despesa extra próxima de mil dólares para cada domicílio nos EUA durante 2025, resultado da alta de preços, redução de investimentos, cortes de empregos e diminuição salarial.
No cenário internacional, o comércio global tornou-se instável e incerto. Desde agosto de 2025, houve fechamento e revogação rápida de acordos comerciais, junto a novas ameaças tarifárias segmentadas. A decisão da Suprema Corte em fevereiro deste ano anulou a base legal das tarifas impostas no “Dia da Libertação”, mas o governo americano mantém a intenção de aplicar novas tarifas, elevando a alíquota geral para 15%.
Diante da indefinição, exportadores e importadores tentam se adaptar a um ambiente volátil. Para o economista Haishi Li, a diversificação das cadeias de suprimentos pode aumentar a resiliência das empresas e governos que apoiem essa estratégia poderão mitigar os riscos. O comércio global permanece em transformação, com os próximos meses apontando para novas mudanças e ajustes nas relações econômicas internacionais.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

