O bacalhau tornou-se o prato típico da Sexta-Feira

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O bacalhau tornou-se o prato típico da Sexta-Feira Santa no Brasil devido à influência portuguesa e à praticidade de seu armazenamento em períodos sem refrigeração. A tradição, consolidada desde a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, está ligada à prática católica de abstinência de carne vermelha durante a Quaresma, especialmente na Semana Santa.

Esse costume tem raízes religiosas que remontam aos primeiros séculos do cristianismo, quando o jejum e a abstinência eram formas de simbolizar o sacrifício de Jesus Cristo. A troca da carne vermelha pelo consumo de peixe durante esse período não se fundamenta apenas em razões econômicas, mas também em simbolismos teológicos. Peixe, no grego antigo, era representado pela palavra “ichthys”, utilizada pelos primeiros cristãos como acrônimo para “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

O historiador André Leonardo Chevitarese ressalta que essa substituição está mais ligada a interpretações religiosas do que ao peso financeiro dos alimentos. A carne vermelha passou a ser vista como alimento da luxúria, segundo o filósofo São Tomás de Aquino, que, no século 13, associou o jejum à renúncia ao que há de mais prazeroso, incluindo carne e laticínios. A Igreja Católica definiu regras específicas sobre abstinência e jejuns, que passaram a fazer parte do Código de Direito Canônico e de documentos papais.

A escolha pelo bacalhau, especificamente, está relacionada a sua capacidade de conservação sem necessidade de refrigeração, o que facilitou sua popularização no Brasil, onde a Quaresma ocorre em parte no verão. Esse processo de cura por sal e desidratação permitia que o alimento fosse estocado por mais tempo, superando as limitações do clima local. Assim, o bacalhau ganhou espaço em lares brasileiros, sobretudo na Sexta-Feira Santa.

A influência portuguesa foi decisiva para introduzir o bacalhau na culinária brasileira, principalmente após 1808, quando a corte estabeleceu-se no Rio de Janeiro. O alimento passou a fazer parte dos empórios tradicionais e, ao longo do tempo, consolidou-se como prato simbólico da data, ainda que não haja nenhuma prescrição canônica específica para seu consumo.

Apesar da tradição, algumas críticas sobre o costume se destacam, como as do padre Eugênio Ferreira de Lima, que questiona o paradoxo de evitar carne vermelha, mas consumir um alimento mais caro e sem estender a caridade à população pobre durante a Quaresma. No entanto, o hábito persiste, tanto por tradição quanto pela prática religiosa, especialmente entre católicos.

O jejum e a abstinência têm diferentes observâncias entre as diversas denominações cristãs. Enquanto o catolicismo mantém a prática ligada ao sacramento da penitência, outras vertentes, como o protestantismo, adotam regras distintas. Isso reforça que o consumo do bacalhau na Sexta-Feira Santa é um ritual cultural e religioso específico do mundo católico e influencia a forma como a fé é expressa no Brasil.

As discussões sobre o que pode ser considerado peixe para fins religiosos também demonstram as variações culturais e locais na prática da abstinência. Alguns líderes religiosos chegaram a permitir o consumo de animais como jacaré, capivara e castores, classificando-os como peixes por critérios tradicionais, e não científicos.

Em resumo, a tradição de comer bacalhau na Sexta-Feira Santa no Brasil resulta da combinação entre a herança cultural portuguesa, a necessidade prática de conservar alimentos durante a Quaresma e o simbolismo religioso da abstinência. O hábito consolidou-se durante o período colonial e se mantém até hoje como parte da observância da Semana Santa no país.

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Fonte: g1.globo.com

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