A alta nos preços dos fertilizantes provocada pela guerra no

A alta nos preços dos fertilizantes provocada pela guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã deve ter impacto limitado nos preços dos alimentos no Brasil em 2024. Especialistas afirmam que a pressão maior sobre os custos ao consumidor estará ligada ao aumento do preço dos combustíveis no curto prazo.
Grande parte das safras de grãos como arroz, soja, milho e feijão já foi colhida ou está na fase final da colheita, o que reduz o efeito imediato da alta dos fertilizantes. Os fertilizantes relacionados a essas culturas já foram aplicados, segundo o pesquisador Felippe Serigati, da FGV Agro.
Por outro lado, culturas que têm plantio mais recente, como o café, cujas colheitas começam agora, e as segundas safras de milho e feijão, podem sentir o impacto das oscilações dos preços dos fertilizantes nos próximos meses. Atualmente, a preocupação dos produtores está voltada para as importações de adubo que acontecem no meio do ano, pois não há previsibilidade sobre a duração do conflito na região.
O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes, adquirindo cerca de 85% do que consome, destacando nitrogênio, potássio e fosfatados. André Braz, economista do FGV Ibre, detalha que o país importa aproximadamente 90% do nitrogênio, 96% do potássio e cerca de 80% dos fertilizantes fosfatados. O Oriente Médio, apesar de ser o quarto maior fornecedor do Brasil, tem papel central no fornecimento global, com 40% das exportações mundiais de ureia e 28% da amônia, segundo a StoneX Brasil.
O aumento nos custos dos fertilizantes deve elevar as despesas de produção em todas as culturas. O milho é apontado como a cultura mais vulnerável no curto prazo, devido ao forte uso de fertilizantes nitrogenados como a ureia. Dados do Rabobank mostram que o preço da ureia subiu 46% nas três primeiras semanas de conflito, e acumula alta de 76% desde o início do ano até março.
Além do milho, arroz e trigo também demandam grandes quantidades de nitrogênio. O custo maior pode levar produtores a reduzir a área plantada. A soja, que precisa menos de nitrogênio, ainda exige grande aplicação de fósforo e potássio, o que refletem no custo para repor nutrientes no solo.
A cana-de-açúcar, que utiliza muito potássio, também deverá registrar aumento nos custos, afetando a produtividade da indústria do açúcar e do etanol.
Apesar da alta nos custos de fertilizantes, especialistas explicam que ela não se traduz de imediato no aumento dos preços dos alimentos para o consumidor final. Produtores podem reduzir o plantio ou a quantidade de insumos aplicados, o que impacta o volume colhido e só afeta preços no médio prazo.
Fatores como o clima podem influenciar mais fortemente a inflação dos alimentos do que os custos dos fertilizantes. Serigati lembra que mesmo com altos custos no último ano devido à guerra na Ucrânia, a safra de verão de 2022 teve rendimento recorde, favorecida por condições climáticas adequadas.
No cenário atual, o preço dos combustíveis exerce maior influência na formação dos preços ao consumidor. O diesel, em particular, afeta diretamente o uso de máquinas agrícolas e toda a cadeia de transporte e distribuição rodoviária no Brasil.
Em resumo, a guerra no Oriente Médio pressiona os preços dos fertilizantes, o que pode elevar custos de produção no campo, mas o impacto sobre os preços dos alimentos deve ser sentido apenas no médio prazo, enquanto a alta dos combustíveis representa o fator mais imediato para o consumidor.
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Fonte: g1.globo.com
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