Os preços das passagens aéreas no Brasil podem aumentar até

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Os preços das passagens aéreas no Brasil podem aumentar até 20% devido à alta do querosene de aviação (QAV), conforme especialistas ouvidos pelo g1 nesta quarta-feira (1º). O reajuste ocorre após a Petrobras elevar em mais de 50% o preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir deste mês, medida que impacta diretamente os custos das companhias aéreas.

O aumento do preço do QAV reflete a alta do barril de petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã. Desde o início do conflito, o barril subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115.

Andre Castelini, sócio da Bain&Company, afirma que o custo para transportar um passageiro por quilômetro pode crescer cerca de 20%, já que quase metade das despesas das companhias aéreas envolve o querosene. No entanto, ele ressalta que o repasse aos preços das passagens pode ser imediato ou gradual, dependendo da ocupação dos voos e da estratégia de cada empresa.

Outro especialista, Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta o impacto sobre as tarifas entre 10% e 20%, com cenário mais provável próximo de 15%. Ele destaca que o aumento dos preços tende a reduzir a demanda, com queda proporcional para cada ponto percentual de elevação no valor das passagens. Viagens de lazer apresentam maior sensibilidade ao preço do que viagens de negócios, prevê França.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou para as “consequências severas” do reajuste no custo do QAV, que já representa 45% dos gastos operacionais das companhias, ante cerca de 30% anteriormente. O aumento somado ao reajuste de 9,4% aplicado em março eleva a pressão sobre o setor aéreo.

Mais de 80% do querosene consumido no país é produzido nacionalmente, mas os preços seguem a paridade internacional, o que amplia o impacto das oscilações do mercado externo sobre o valor final do combustível.

Para amenizar os efeitos do reajuste, a Petrobras anunciou uma medida de parcelamento do pagamento pelas distribuidoras. Em abril, elas pagarão 18% do aumento previsto; o restante do acréscimo, cerca de 54%, será dividido em seis parcelas mensais a partir de julho. A estatal informou que a ação busca preservar a demanda pelo produto e garantir o funcionamento do setor aéreo.

O Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda um conjunto de propostas para reduzir o impacto do aumento sobre as companhias, incluindo redução temporária de tributos sobre o querosene, diminuição do IOF nas operações financeiras das aéreas e redução do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves. Essas medidas visam preservar a competitividade do setor, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea do país.

Além disso, está em estudo a criação de uma linha específica do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para aquisição temporária de QAV.

O Ministério da Fazenda afirmou que acompanha continuamente o cenário internacional e seus possíveis efeitos na economia brasileira. A pasta informou que analisará eventuais medidas com base em evidências e dentro dos parâmetros fiscais vigentes.

O reajuste do querosene de aviação pode afetar diretamente a estrutura de custos do transporte aéreo no Brasil, levando a ajustes nos preços das passagens e possível retração da demanda, fenômeno acompanhado de perto pelo governo e pelo setor privado.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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