As duas maiores usinas siderúrgicas do Irã suspenderam suas operações nesta quinta-feira (2) após ataques realizados por Israel e Estados Unidos. As unidades Companhia Siderúrgica de Khuzestan, no sudoeste, e Companhia Siderúrgica Mobarakeh, em Isfahan, tiveram equipamentos danificados, impossibilitando a continuidade da produção.
A Companhia Siderúrgica Mobarakeh comunicou em seu site que suas linhas de produção estão paralisadas devido à intensidade dos ataques. A siderúrgica de Khuzestan, por meio do vice-diretor de operações Mehran Pakbin, informou que a retomada das atividades pode levar de seis meses a um ano, considerando os danos em módulos e fornos de produção de aço.
O aço produzido nessas usinas é um material estratégico para o Irã, utilizado tanto na indústria civil quanto militar, especialmente na fabricação de mísseis, drones e navios. Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ações com mísseis e drones contra áreas industriais de Israel e dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.
Na mesma quinta-feira, o Irã declarou que continuará o conflito contra os EUA e Israel até a “rendição e arrependimento permanentes” dos adversários. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que os ataques iranianos serão “devastadores, amplos e mais destrutivos”, em resposta às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump.
Trump havia prometido, em discurso na Casa Branca na noite anterior, intensificar ataques contra o Irã nas próximas duas a três semanas. O presidente dos EUA afirmou que os objetivos estratégicos da operação militar estão quase concluídos e ameaçou atacar a infraestrutura energética iraniana caso não haja acordo com Teerã.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, respondeu a Trump em carta aberta ao povo norte-americano, afirmando que o Irã não nutre inimizade contra a população dos EUA e que as ações iranianas são uma resposta legítima e de defesa, não uma agressão iniciada pelo país. Pezeshkian também acusou Washington de agir como representante de Israel e destacou que os conflitos remontam a 1953, com o golpe contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, apoiado por serviços secretos dos EUA e da Inglaterra.
Durante o discurso em que ameaçou o Irã, Trump declarou que os EUA não dependem mais do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, importante rota no Golfo Pérsico. Ele afirmou que os países beneficiados pela passagem devem proteger o canal, sugerindo ainda que eles “tomem conta dele” militarmente, após criticar os líderes europeus por evitarem enviar navios para garantir a segurança do local.
O conflito enfrenta resistência no público norte-americano. Pesquisa Reuters/Ipsos indicou que 60% dos eleitores desaprovam a guerra, e 66% preferem que os EUA encerrem sua participação mesmo sem cumprir todas as metas estabelecidas pelo governo. Aliados de Trump têm solicitado justificativas mais claras sobre o motivo e o prazo do envolvimento militar.
Trump também criticou a Otan por não apoiar os objetivos dos EUA no Irã e chegou a considerar a possibilidade de retirada dos Estados Unidos da aliança. Ele afirmou que, apesar de uma possível saída, as forças norte-americanas poderiam retornar para ataques pontuais, conforme necessário.
O cenário atual indica aumento da tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel, com impactos diretos na capacidade industrial iraniana e no equilíbrio militar da região. As ações e reações dos envolvidos sugerem que o conflito permanecerá ativo e poderá se agravar nos próximos meses.
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Fonte: g1.globo.com
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