Uma repórter usou durante meses óculos e colar equipados com inteligência artificial (IA), câmeras e microfones que gravam 24 horas sua rotina em diferentes situações para mostrar como a tecnologia pode ser prática e invasiva ao mesmo tempo.
Os dispositivos capturam imagens e sons contínuos, permitindo a transcrição automática e sugestões baseadas nas conversas registradas. A correspondente internacional Carolina Simente utilizou o colar conectado ao celular para gravar conversas do dia a dia, incluindo diálogos em idiomas como crioulo, com interpretações geradas pela IA. Para aprofundar o experimento, ela também testou óculos inteligentes com câmera, microfone e recursos como reconhecimento de locais turísticos e comandos por voz.
No entanto, a tecnologia apresentou falhas. Durante uma tentativa de criar uma lista de compras por comando de voz, a falta de sinal no supermercado impediu o funcionamento correto do dispositivo, resultando em produtos esquecidos. Os óculos, apesar de úteis para fotografar e gravar com as mãos livres, tiveram problemas de pronúncia ao identificar pontos turísticos em Nova York.
Além de conveniência, os aparelhos têm sido ferramentas de autonomia para pessoas com deficiência. A atleta francesa Emmeline Lacroute, que é cega, utiliza óculos inteligentes para receber orientação em tempo real durante a escalada esportiva, transmitindo imagens ao treinador à distância.
Os dispositivos vestíveis, porém, enfrentam resistência. Pesquisa da rede CNBC aponta que apenas 31% dos americanos se sentem confortáveis com a expansão da inteligência artificial. No Brasil, o uso de óculos inteligentes é proibido nas cabines de votação pelo Tribunal Superior Eleitoral. Reportagens indicam a possibilidade de aplicação de reconhecimento facial nos óculos para vigilância em espaços públicos, o que gera preocupações sobre privacidade e consentimento.
Casos de abuso surgiram, com relatos de gravações feitas sem autorização e vídeos publicados na internet. Em uma situação, uma influenciadora americana descobriu que um homem havia usado óculos inteligentes para filmá-la durante o embarque em um voo, mesmo com a luz indicadora de gravação supostamente coberta.
O uso constante da IA vestível também levanta debate sobre impactos na atenção e no bem-estar emocional. Notificações frequentes interrompem o foco e podem afetar as relações interpessoais. O filósofo Byung-Chul Han chama esse fenômeno de “sociedade do cansaço”, em que até o lazer é orientado por produtividade.
Em contrapartida, há uma busca por tecnologias que reduzam distrações. Celulares chamados “antismartphones”, que limitam funções como internet e redes sociais, ganham espaço entre usuários que querem limitar o excesso de conectividade. Isso mostra que nem toda inovação tecnológica implica maior grau de hiperconexão.
A experiência da repórter com IA vestível evidencia as potencialidades e os desafios dessa tecnologia, que transita entre o auxílio prático e as questões éticas relativas a privacidade, segurança e impacto social.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

