A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, em curso há cinco semanas, ampliou a volatilidade dos preços globais do petróleo, mas o Brasil enfrenta o cenário com certa proteção graças ao uso consolidado do etanol derivado da cana-de-açúcar. O país dispõe de uma frota significativa de veículos bicombustíveis que podem rodar com etanol puro ou misturas com gasolina, reduzindo a dependência do petróleo importado.
O programa brasileiro de etanol tem raízes na década de 1970, iniciado durante a ditadura militar, e evoluiu sob regimes democráticos. Ele oferece uma alternativa viável para reduzir choques externos, algo que ganhou mais relevância diante da crise atual no Oriente Médio. Enquanto vários países registram aumentos elevados nos preços dos combustíveis, a alta da gasolina no Brasil em março foi modesta, cerca de 5%, contra 30% nos Estados Unidos.
A frota bicombustível é uma das maiores do mundo e dá flexibilidade à população para escolher entre combustíveis mais baratos e renováveis. A produção nacional de etanol também está em expansão, com expectativa de recorde na próxima safra. Estima-se que a produção alcance 30 bilhões de litros, volume 4 bilhões superior ao do ano anterior, quantidade que equivale ao total de gasolina importada pelo país no último ano.
Mesmo sendo produtor e exportador de petróleo bruto, o Brasil ainda importa derivados refinados para atender à demanda interna, principalmente dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Guiana. O etanol, entretanto, sustenta a matriz nacional de combustíveis, representando em 2025 cerca de 37,1 bilhões de litros comercializados.
O sucesso do etanol está ligado à produção no estado de São Paulo, principal polo agrícola e industrial. A produção local combina grandes propriedades tecnológicas com pequenas fazendas familiares. O desenvolvimento tecnológico tem apoio de centros de pesquisa, como o Centro de Desenvolvimento Científico do Etanol da Unicamp, que destaca a flexibilidade do programa brasileiro em produção, motor do veículo e políticas governamentais de mistura.
Apesar da vantagem do etanol, o Brasil enfrenta desafios com o diesel, combustível usado majoritariamente no transporte e indústria. O diesel depende fortemente de petróleo importado e possui baixa proporção de biocombustíveis na mistura — cerca de 14%. O país planeja aumentar essa porcentagem para 30% apenas em 2030, sujeito a avanços tecnológicos.
Os preços do diesel subiram mais de 20% em março, levando o governo federal a propor subsídios para controlar os valores até maio. Cerca de 20% a 30% do diesel consumido no Brasil é importado mensalmente, com grande parte da Rússia. A importação em 2023 foi de quase 17 bilhões de litros. Controlar o preço do diesel é um objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar greves e conter a inflação, especialmente dos alimentos.
Líderes internacionais têm manifestado interesse no modelo brasileiro de biocombustíveis. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, demonstrou interesse na tecnologia para produção de etanol a partir do agave, planta típica de seu país. O presidente da Associação da indústria da cana-de-açúcar (UNICA), Evandro Gussi, afirma que o modelo brasileiro é replicável e tem despertado atenção mundial devido à sua capacidade de aumentar a segurança energética.
Em resumo, o Brasil usa há décadas estratégias que combinam produção doméstica de etanol e veículos bicombustíveis para mitigar os impactos das crises globais do petróleo. Mesmo com desafios pontuais no diesel, o país mantém relativa estabilidade nos preços e representa uma referência para outras nações que buscam alternativas aos combustíveis fósseis.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

