Economia

O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito

O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito
  • Publishedmarço 30, 2026

O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019

Zachary Pearson/U.S. Navy via AP

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (30) que o país deve retomar o controle do Estreito de Ormuz e garantir a liberdade de navegação na região, considerada estratégica para o comércio global de petróleo.

Em entrevista ao programa “Fox & Friends”, da Fox News, Bessent disse que o mercado global segue bem abastecido, apesar das tensões recentes. Segundo ele, a circulação de navios já dá sinais de retomada.

“Com o tempo, os EUA vão retomar o controle do Estreito e haverá liberdade de navegação, seja por meio de escoltas dos EUA ou de uma escolta multinacional”, afirmou.

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A declaração ocorre em um momento de incerteza sobre a segurança da rota, que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo e é responsável por escoar uma parcela significativa da produção de petróleo de grandes exportadores.

A fala de Bessent sinaliza confiança do governo americano em uma solução para a crise, embora ainda não haja prazo definido para a normalização completa do fluxo de embarcações. Ao mesmo tempo, reforça a pressão internacional por estabilidade na região.

Nos últimos dias, episódios envolvendo o tráfego marítimo e ações militares aumentaram a tensão. Dados de rastreamento indicam que dois navios porta-contêineres chineses conseguiram atravessar o estreito em uma nova tentativa de deixar o Golfo, após recuarem anteriormente.

Já no campo militar, o exército de Israel afirmou ter interceptado dois drones lançados do Iêmen. O ataque ocorreu após rebeldes houthis, alinhados ao Irã, dispararem mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Impacto no petróleo e na inflação

A instabilidade na região tem impacto direto sobre os preços do petróleo. O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais gargalos logísticos do mundo, e qualquer interrupção ou risco elevado no transporte tende a encarecer o barril.

Segundo analistas, um eventual bloqueio também no Mar Vermelho — caso os houthis passem a atacar navios — poderia elevar os preços entre US$ 5 e US$ 10 por barril.

Esse movimento pressiona a inflação global, já que o aumento do custo dos combustíveis afeta cadeias produtivas em diversos países.

Trump volta a ameaçar o Irã

Em meio à escalada de tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o Irã. Ele exigiu que o país reabra o Estreito de Ormuz e alertou para possíveis ataques a instalações energéticas iranianas caso isso não ocorra.

Trump havia indicado anteriormente que poderia suspender ações contra a infraestrutura energética do Irã até 6 de abril, enquanto negociações ocorrem. Segundo ele, representantes dos dois países vêm se reunindo “direta e indiretamente”.

O governo iraniano, no entanto, classificou as propostas americanas como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e voltou a lançar mísseis contra Israel.

Para analistas, o prazo estabelecido pelos EUA não foi suficiente para acalmar o mercado, que agora busca sinais concretos de redução das tensões.

Diante dos riscos no Estreito de Ormuz, exportadores já começaram a buscar rotas alternativas.

Dados da consultoria Kpler mostram que as exportações de petróleo da Arábia Saudita redirecionadas para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, saltaram para 4,658 milhões de barris por dia na última semana.

Empresas do setor também monitoram a situação. A PetroChina, maior produtora de petróleo e gás da Ásia, afirmou que segue operando normalmente, embora cerca de 10% de seu fornecimento dependa da passagem pelo estreito.

Apesar disso, o fim de semana foi marcado por novos ataques na região, incluindo danos a um terminal em Omã e registros de mísseis no Kuwait e nas proximidades da Arábia Saudita.

O cenário, segundo especialistas, ainda é de cautela, com o mercado global atento aos próximos desdobramentos no Oriente Médio.

Reportagem elaborada com informações da agência Reuters.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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