Economia

Um material comum em cozinhas nos Estados Unidos

Um material comum em cozinhas nos Estados Unidos
  • Publishedmarço 29, 2026

Um material comum em cozinhas nos Estados Unidos, o quartzo usado em bancadas, está no centro de uma disputa judicial e política após o aumento de casos de silicose, doença pulmonar causada pela inalação da poeira do mineral. O debate ganhou força em 2024 após o crescimento de diagnósticos entre trabalhadores que cortam e moldam o quartzo, levando a processos contra fabricantes e a discussão de um projeto de lei no Congresso americano.

O quartzo é um substituto frequente ao mármore e granito em bancadas de cozinha. Para a transformação das grandes placas em produtos finais, os trabalhadores realizam cortes, lixamento e acabamentos, processos que liberam uma poeira fina contendo sílica, mineral presente no quartzo. A inalação dessas partículas pode causar cicatrizes nos pulmões, reduzindo a capacidade respiratória e levando à silicose, doença progressiva e sem cura.

Segundo o jornal The New York Times, centenas de trabalhadores da indústria de pedra nos EUA foram diagnosticados com silicose. Entre eles está Jeff Rose, de 55 anos, que trabalhou por anos cortando quartzo e hoje convive com a doença. Seu filho Skyler, de 30 anos, também atuou na mesma profissão e recebeu o mesmo diagnóstico. Outro caso é o de Wade Hanicker, de 39 anos, que relata condições precárias de trabalho e exposição direta à poeira devido à prática comum de cortes a seco.

Dados do departamento de saúde pública da Califórnia indicam 512 casos de silicose relacionados à pedra artificial e 29 mortes desde 2019. A pneumologista Jane C. Fazio identificou um padrão entre pacientes atendidos em seu centro médico, todos com histórico de trabalho com bancadas de pedra.

O aumento dos casos elevou o número de ações judiciais contra fabricantes e distribuidores de pedra artificial. Em 2024, um júri em Los Angeles determinou o pagamento de US$ 52,4 milhões a um ex-trabalhador. Em resposta, representantes da indústria afirmam que o quartzo é seguro se manipulado adequadamente, e que o problema está nas condições de trabalho em algumas oficinas, não no produto.

Um projeto em análise no Congresso americano busca limitar a responsabilidade dos fabricantes, atribuindo às oficinas e órgãos reguladores a obrigação pela segurança dos trabalhadores. Esse tipo de legislação é comum para produtos que recebem proteção federal contra determinados processos, como vacinas e armas de fogo.

Especialistas em saúde ocupacional alertam que as normas vigentes podem não proteger adequadamente os trabalhadores. O epidemiologista David Michaels, ex-chefe da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA, afirmou que os padrões para exposição à sílica estão desatualizados e defendeu a busca por materiais alternativos mais seguros, como os feitos com vidro reciclado.

Enquanto o debate legislativo segue em Washington, trabalhadores continuam sofrendo com os efeitos da silicose. Jeff Rose declarou que deseja que a indústria adote práticas mais seguras, mas teme que a onda de processos prejudique o setor.

A situação mostra um conflito entre segurança no trabalho, responsabilidade das empresas e proteção legal, com impactos diretos na saúde de profissionais e na economia da indústria de pedra artificial.

Palavras-chave para SEO: quartzo, silicose, doença pulmonar, poeira de sílica, bancadas de cozinha, indústria de pedra artificial, saúde ocupacional, Estados Unidos, processos judiciais, segurança no trabalho.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

Leave a Reply