A China se prepara há anos para uma possível crise

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A China se prepara há anos para uma possível crise no abastecimento de petróleo do Golfo Pérsico, mas a recente guerra no Irã expõe os limites dessa estratégia. A interrupção da rota marítima pelo Estreito de Ormuz, causada por ameaças iranianas de ataques contra navios, provocou uma escassez global de petróleo que afeta fortemente os países asiáticos, inclusive a China.

Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em fevereiro, elevaram os preços do petróleo a cerca de US$ 120 por barril em alguns momentos. Cerca de 20% do petróleo mundial, cerca de 20 milhões de barris diários, passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA). Com a rota comprometida, os países buscam fornecedores alternativos e usam reservas estratégicas para amenizar o impacto.

A China, segunda maior consumidora mundial de petróleo, importa entre 15 e 16 milhões de barris por dia, principalmente para seu sistema de transporte e indústria. Seu suprimento depende em grande parte do Oriente Médio, especialmente da Arábia Saudita e do Irã, que fornecem mais de 10% das importações chinesas cada. A maior parte do petróleo chega via mar, especialmente para a região sul do país, enquanto o norte depende do petróleo doméstico e das importações russas por oleoduto, não afetadas pelo conflito no Oriente Médio.

A Rússia é a maior fornecedora de petróleo da China, respondendo por cerca de 20% das suas importações, apesar das sanções internacionais. Internamente, o carvão segue dominando a matriz energética chinesa, representando a maior parte da geração elétrica do país, que é o maior produtor mundial desse combustível.

Nos últimos anos, a China formou reservas estratégicas significativas para enfrentar crises energéticas. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o país aumentou em 16% suas compras de petróleo em relação ao mesmo período de 2023. O Irã, apesar das sanções americanas, é uma fonte importante de petróleo barato para Pequim, que absorve mais de 80% das exportações iranianas. Estima-se que a China tenha acumulado reservas equivalentes a pouco menos de três meses de importação, entre 900 milhões e 1,4 bilhão de barris, segundo análises de instituições como Saxo Bank e Universidade Columbia.

Mesmo com essas reservas, o governo chinês adotou medidas de cautela diante da crise atual. Há relatos de que as refinarias foram orientadas a suspender temporariamente exportações de combustíveis para controlar os preços internos. A China não confirmou oficialmente essas informações.

Além do investimento em reservas, a China busca reduzir a dependência do petróleo por meio de uma transição energética. O país é líder mundial em energia renovável, com crescimento acelerado da capacidade instalada em fontes como energia eólica, solar, nuclear e hidrelétrica. Em 2025, essas fontes responderam por mais de um terço da eletricidade gerada no país, e as energias limpas já representam mais da metade da capacidade instalada atualmente.

Como resultado, o petróleo representava cerca de 20% do consumo total de energia da China em 2024, percentual inferior ao de outras grandes economias. A demanda por petróleo deve se manter estável ou diminuir, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). A adoção de veículos elétricos, que já correspondem a pelo menos um terço dos carros novos vendidos, contribui para reduzir o impacto das flutuações nos preços internacionais de petróleo sobre a mobilidade urbana.

Mesmo assim, a crise energética global tem efeitos diretos. O aumento nos preços do petróleo eleva o custo dos combustíveis, afetando tanto motoristas quanto a indústria petroquímica, essencial para a produção de plásticos, fertilizantes e produtos químicos. Na última semana, a China aumentou os preços da gasolina e do diesel em cerca de 695 e 670 yuanes por tonelada, respectivamente.

A China, maior importadora mundial de energia, deverá aceitar o custo mais alto do petróleo decorrente do conflito no Irã para manter o abastecimento do país. A estratégia de planejamento e reservas oferece proteção, mas não elimina os impactos das tensões geopolíticas na cadeia global de energia.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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