O Irã anunciou que permitirá a passagem de embarcações “não

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O Irã anunciou que permitirá a passagem de embarcações “não hostis” pelo Estreito de Ormuz, estratégia que tem gerado lucros para o país em meio ao conflito com Estados Unidos e Israel, que completou um mês em março de 2024. Segundo relatos, Teerã estaria cobrando até 2 milhões de dólares por navio para garantir uma “passagem segura”, transformando o canal marítimo em uma espécie de pedágio, apesar das sanções internacionais.

O Estreito de Ormuz é uma rota vital por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. A suposta cobrança foi relatada pela publicação marítima Lloyd’s List, que indica que pelo menos uma embarcação já efetuou o pagamento. Autoridades iranianas negam formalmente a cobrança, mas parlamentares locais afirmam que as taxas são parte de um “novo regime soberano” e justificadas para cobrir “custos de guerra”.

Especialistas internacionais apontam que essa prática viola o direito marítimo, que garante a liberdade de navegação sem bloqueios. Robert Huebert, professor da Universidade de Calgary, destacou que a imposição de taxas causaria resistência global. No entanto, o analista Peter Sand, da empresa Xeneta, avalia que o valor cobrado não é o principal entrave para a passagem, mas sim a falta de segurança no local.

Com mais de 3.200 embarcações retidas no estreito, países altamente dependentes de energia, como Índia, Paquistão, Iraque, Malásia e China, negociam diretamente com o Irã para assegurar o tráfego contínuo. O aumento nos valores dos seguros marítimos e nos preços do petróleo demonstra a pressão sobre os importadores para manter o fluxo energético.

A transação financeira permanece complexa devido às sanções ocidentais que dificultam o recebimento de dólares pelo Irã. Segundo informações da Bloomberg, múltiplos navios já teriam pago a taxa, embora sem uma sistematização clara. O governo iraniano também considera oficializar a cobrança dentro de possíveis negociações de paz com Estados Unidos e Israel.

Em 24 de março, o Irã comunicou formalmente à Organização Marítima Internacional (OMI) que abriria o estreito para navios “não hostis”, mediante coordenação prévia. Até então, o país controlava rigorosamente o número de travessias, limitando-as a três ou cinco diárias. A OMI informou que trabalha em uma medida urgente para facilitar a saída segura dos navios retidos na região.

Enquanto isso, a produção e exportação de petróleo do Irã continuam sem interrupções. Os Estados Unidos concederam uma isenção temporária de 30 dias para a compra de petróleo iraniano já armazenado em petroleiros, buscando aliviar a crise energética em meio ao conflito. Essa ação, junto à alta dos preços, permite que Teerã aumente sua arrecadação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem cobrado que os aliados europeus da Otan participem de uma missão naval conjunta para escoltar embarcações no Golfo e garantir a segurança da navegação. Países como Alemanha, França e Itália resistem a uma ação imediata, mas indicam disposição para atuar após o fim dos combates diretos.

A OMI ressaltou que a escolta naval não é uma solução sustentável para o problema e defende a busca por uma estratégia multilateral para reduzir tensões na região. A entidade reforça a necessidade de garantir a segurança dos marinheiros e permitir o trânsito seguro dos navios mercantes sem risco de ataques.

Em resumo, o bloqueio do Estreito de Ormuz tem se tornado, para o Irã, uma ferramenta financeira no contexto do conflito regional. As negociações e movimentações para manter a passagem marítima em funcionamento evidenciam o impacto geopolítico e econômico da crise, ressaltando a complexidade de garantir a livre navegação em uma área sensível para o comércio global.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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