Uma missão do Ministério da Agricultura do Brasil iniciou nesta segunda-feira (23) negociações na China sobre regras de inspeção fitossanitária da soja brasileira, diante de entraves recentes nas exportações causados pela presença de ervas daninhas proibidas nas cargas. A viagem ocorre em meio a um esforço conjunto para ajustar os critérios sanitários e garantir a continuidade dos embarques para o país asiático, maior comprador da soja brasileira.
Nos últimos dias, cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China por apresentarem misturas da soja com ervas daninhas consideradas proibidas pelas autoridades chinesas. Esse problema gerou dificuldades para os exportadores no Brasil, que enfrentaram obstáculos na emissão dos certificados fitossanitários, documentos indispensáveis para a exportação.
Em resposta à situação, o governo chinês aceitou flexibilizar parte das exigências sanitárias, e o Brasil comunicou que não adotará mais o critério de tolerância zero para a presença dessas impurezas nas cargas. No entanto, ainda não foi definido um limite numérico para essa tolerância, que será objeto de novas negociações entre os dois países.
Até que haja um acordo definitivo, a liberação dos embarques seguirá baseada em análise de risco, conforme informado pela Secretaria de Defesa Agropecuária brasileira. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reiterou que o Brasil não está flexibilizando a fiscalização dos embarques, contrariando reportagens que sugeriram possível relaxamento no controle.
As negociações na China devem continuar durante a semana, com a participação dos secretários de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua. O Ministério da Agricultura afirmou que as conversas estão em estágio inicial e que ainda não há decisões finais.
A China concentra cerca de 80% das exportações brasileiras de soja, tornando-se o principal destino do produto. Apesar dos entraves recentes, analistas destacam que o impacto tende a ser pontual e não comprometerá significativamente o volume total exportado ao longo do ano.
O problema, na avaliação de especialistas, não é recente. Segundo o analista de mercado de soja Raphael Bulascoschi, da StoneX Brasil, a questão começou no final do ano passado, quando o órgão chinês GACC informou ao governo brasileiro sobre a presença excessiva de sementes proibidas e materiais estranhos nos carregamentos. Em resposta, o Brasil adotou uma postura de tolerância zero para evitar tensões diplomáticas e aumentou o rigor na emissão dos certificados fitossanitários.
Na semana passada, Fávaro afirmou que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas reconheceu a legitimidade das preocupações chinesas. Ele também anunciou a intenção de propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio da soja entre os dois países.
O avanço nas negociações é visto como fundamental para evitar novos bloqueios e garantir o fluxo das exportações, que são essenciais para a economia brasileira. As partes envolvidas devem continuar os contatos visando a definição de critérios claros e viáveis para o comércio bilateral.
*Reportagem em atualização.*
Fonte: g1.globo.com
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