O dólar iniciou o pregão desta sexta-feira (20) com atenção concentrada nas tentativas dos Estados Unidos e de Israel para conter a crise energética gerada pela nova fase da guerra no Oriente Médio. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também abriu às 10h, em meio a um cenário de volatilidade marcada pelo conflito e seus efeitos globais.
Na última quinta-feira (19), o presidente dos EUA, Donald Trump, buscou enviar sinais de estabilidade ao mercado, após medidas como a possível flexibilização das sanções ao petróleo iraniano e a liberação de reservas estratégicas de energia. Essas ações têm como objetivo mitigar o impacto da crise de energia impulsionada pelo conflito na região.
Os governos norte-americano e israelense tentam reduzir a aversão ao risco frente à possibilidade de um conflito prolongado com o Irã. Um discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sugeriu que as tensões podem não se estender, o que trouxe algum alívio aos mercados.
O preço do barril de petróleo Brent, referência global, recuou para US$ 108,01 por volta das 8h46 (horário de Brasília), após ter ultrapassado os US$ 115 na véspera. O gás natural na Europa, que chegou a avançar 35%, opera próximo da estabilidade, com leve alta de 0,08%.
No Brasil, o governo tenta conter a alta do diesel em ano eleitoral. Para isso, propôs zerar o ICMS sobre a importação do combustível até o fim de maio, compensando metade das perdas dos estados com recursos da União.
No campo político, investidores observam a indicação de Dario Durigan para comandar o Ministério da Fazenda até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a saída de Fernando Haddad para concorrer ao governo de São Paulo.
Com poucos indicadores econômicos locais, o foco dos investidores está nas decisões de política monetária globais. Nos próximos dias, devem ser observados os anúncios do Banco do Japão, do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra, além dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
No Brasil, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), corte que já era esperado. Contudo, o Comitê de Política Monetária sinalizou cautela sobre novos ajustes, citando as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo e possíveis impactos inflacionários.
O Brasil segue com o segundo maior juro real do mundo, em torno de 9,51%, atrás apenas da Turquia, que registra 10,38%. Os Estados Unidos mantiveram a taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano e ainda não descartam um corte de 0,25 ponto até o fim do ano, mas alertam para possível revisão dessa previsão caso o conflito se agrave.
No mercado internacional, as principais bolsas fecharam em queda nesta quinta-feira (19), influenciadas pela escalada do conflito no Oriente Médio e a cautela com a inflação. Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,44%, o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq teve baixa de 0,28%.
Na Europa, o índice britânico FTSE 100 recuou 2,35%, o DAX da Alemanha caiu 2,76%, e o CAC 40 da França teve baixa de 2,03%. O Banco da Inglaterra decidiu manter os juros, mas alguns membros cogitaram aumento devido ao risco inflacionário relacionado à crise.
Na Ásia, os índices também registraram perdas. O principal índice de Xangai caiu 1,4%, o CSI300 recuou 1,6%, e o Hang Seng de Hong Kong perdeu 2%. No Japão, o Nikkei teve queda acentuada de 3,4%. Bolsas da Coreia do Sul, Taiwan, Austrália e Cingapura também operaram em baixa.
A nova fase do conflito no Oriente Médio teve início após ataques do Irã a instalações energéticas ligadas aos EUA, em resposta a bombardeios atribuídos a Israel com apoio americano contra infraestrutura iraniana. O Irã afirma ter atingido alvos em países como Catar e Arábia Saudita, intensificando o quadro de tensão.
Em declarações, Benjamin Netanyahu afirmou que Israel está atacando as fábricas que produzem componentes para mísseis e armas nucleares iranianas. O governo dos EUA apoia ações para conter ataques a infraestrutura energética, mas busca evitar uma escalada maior do conflito.
Este cenário tem a potencialidade de afetar o fornecimento global de energia, pressionando preços do petróleo e gás natural, e influenciando a dinâmica econômica e financeira mundial, inclusive o comportamento das taxas de câmbio e política monetária.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

