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O cantor baiano Edson Gomes, às vésperas de sua apresentação

O cantor baiano Edson Gomes, às vésperas de sua apresentação
  • Publishedmarço 20, 2026

O cantor baiano Edson Gomes, às vésperas de sua apresentação no Lollapalooza 2026 nesta sexta-feira (20), gerou polêmica ao criticar o Dia da Consciência Negra e afirmar que “comunistas caçam crianças”. Com carreira de mais de 50 anos denunciando desigualdades sociais e racismo em suas músicas, o artista tem adotado um discurso que se distancia das interpretações políticas tradicionais de sua obra.

Em fevereiro, durante um show, Edson Gomes interrompeu a apresentação para alertar pais a “reagirem” contra o que chamou de “caça” às crianças pelos comunistas. Ele afirmou que seus filhos são alvo para se tornarem “penas” e pediu resistência dos pais. O cantor destacou que leva aos shows uma mensagem positiva, sem drogas, para formar decisões melhores nas futuras gerações.

Em entrevista ao podcast “Bahia Cast” em janeiro de 2022, Edson também criticou sindicalistas que usariam suas músicas em protestos sem contratá-lo para shows. Ele disse que sua música “não tem bandeira” e que não se importa com sindicatos, mas chamou de “canalhas” quem usa suas canções sem oferecer retorno profissional.

Apesar do conteúdo social em suas letras, Gomes defendeu que o músico não deve se envolver em política partidária. “Minha música não está atrelada à política”, disse. Em outras ocasiões, o artista expressou críticas a programas sociais como o Bolsa Família, classificando-os como instrumentos para manutenção da pobreza e chantagem eleitoral.

O cantor também minimizou o Dia da Consciência Negra, afirmando que a data serve como distração para ocupar o tempo da população negra e periférica, desviando a atenção dos problemas reais do cotidiano.

Questionado sobre contradições em seus discursos comparados à sua obra, Edson Gomes declarou que manterá sua postura autêntica apesar das críticas. Ele disse que sua “hipocrisia será eterna” e que não mudará por pressões externas.

A obra do artista, iniciada em 1988 com o álbum “Sistema do Vampiro”, sempre abordou temas como negligência social, violência policial e resistência do trabalhador informal. Canções como “Acorde, Levante, Lute” e o álbum ao vivo em homenagem ao Dia do Trabalhador reforçam seu histórico na música de protesto.

As declarações recentes provocaram reações no meio político. A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) criticou o que chamou de “radicalização à direita” do cantor, apontando um afastamento entre suas letras e sua postura pessoal. Para ela, os discursos do artista têm sido alinhados com grupos políticos de direita, apesar da temática comunista nas músicas de Gomes.

Por outro lado, parlamentares de direita manifestaram apoio ao artista. O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) protocolou um projeto para conceder a Edson Gomes a Comenda 2 de Julho, maior honraria da Bahia, destacando sua contribuição cultural e social por meio da música. O projeto ainda não tem data para votação.

Mesmo com cobranças por posicionamentos políticos explícitos, Edson Gomes mantém uma linha clara entre crítica social e engajamento partidário, presente desde seus primeiros trabalhos. Ele adotou postura de rejeição a promessas e engajamentos políticos diretos, reafirmada em composições recentes como “Pleito” (2020).

Edson Gomes, portanto, permanece uma figura dividida entre seu legado como defensor das causas sociais e as declarações atuais que geram debates sobre sua real posição política fora dos palcos.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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