Fazendas brasileiras reduzem mortalidade de bezerras recém

A taxa de mortalidade de bezerras recém-nascidas em fazendas leiteiras brasileiras, que historicamente ultrapassava 10%, caiu para menos de 3% graças a um projeto que desde 2017 reúne profissionais, universidades e institutos de pesquisa. O programa Alta Cria acompanha dados de mais de 200 propriedades em dez estados, principalmente em Minas Gerais, e aplica conhecimento técnico para melhorar o manejo e a infraestrutura.
O zootecnista Rafael Azevedo, coordenador do projeto, destaca que o ideal é manter a mortalidade abaixo dos 3%, e alguns produtores já atingiram índices de 1% ou 2%. Entre as principais causas da mortalidade estão doenças no umbigo e diarreia nos primeiros dias de vida, problemas respiratórios até os 90 dias e tristeza parasitária transmitida por carrapatos a partir dos três meses.
Em Coromandel (MG), os irmãos Fernando e Henrique Silva adotaram um novo sistema após enfrentarem altas perdas de bezerras desde que assumiram a fazenda familiar. Eles investiram R$ 550 mil em 96 casinhas individuais que protegem melhor os animais do clima e da umidade, substituindo o sombreamento a campo.
Também mudaram o protocolo de manejo para incluir a cura do umbigo com iodo, pesagem e fornecimento de colostro nas primeiras duas horas após o nascimento. Essas medidas são essenciais para garantir a imunidade das bezerras e reduzir a mortalidade.
Em Carmo do Paranaíba (MG), o produtor Eldes Braga reduziu a mortalidade para cerca de 1,7%, com apenas seis bezerras perdidas em um rebanho de 350 nascimentos anuais. Inicialmente, ele enfrentava perdas de até 66%. A mudança veio com foco no cuidado das vacas gestantes, que passaram a ser alojadas em galpão com sistema de resfriamento e ventilação para diminuir o estresse térmico.
Além do conforto, as vacas recebem dieta específica com proteínas e nutrientes que fortalecem sua imunidade, impactando positivamente na saúde das bezerras. A melhoria na condição das mães também resultou em novilhas mais pesadas na primeira cria, com média de 670 kg, o que contribui para maior produção leiteira.
Para os produtores entrevistados, esses avanços mostram que a atividade leiteira demanda profissionalização crescente, com investimentos em manejo e infraestrutura para garantir a reposição do rebanho e a sustentabilidade financeira.
Henrique Silva afirma que o sucesso da fazenda decorre do cumprimento rigoroso do manejo adequado. O cuidado com as bezerras assegura a substituição de animais menos produtivos e mantém a produtividade no longo prazo.
Desde 2024, o projeto Alta Cria ampliou sua atuação com um levantamento semelhante voltado para fazendas de gado de corte, buscando replicar os avanços obtidos na cadeia leiteira em outras áreas do setor agropecuário.
Palavras-chave: mortalidade de bezerras, fazendas leiteiras, manejo de bezerras, programa Alta Cria, produção de leite, cuidado com bezerras, infraestrutura rural, Minas Gerais, saúde animal, profissionalização agrícola.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com