Economia

Autoridades chinesas flexibilizaram as regras sobre a presen

Autoridades chinesas flexibilizaram as regras sobre a presen
  • Publishedmarço 20, 2026

Autoridades chinesas flexibilizaram as regras sobre a presença de ervas daninhas em carregamentos de soja importados do Brasil, no último dia 20, com o objetivo de liberar cargas retidas no país asiático. A decisão foi divulgada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, por meio de documento publicado no Sistema Eletrônico de Informações do governo federal.

Nas últimas semanas, cerca de 20 navios brasileiros que transportavam soja foram devolvidos pela China por conterem sementes de plantas daninhas proibidas. O governo brasileiro, em reunião com as autoridades chinesas, informou que não é possível assegurar a ausência total de sementes de plantas daninhas na soja devido às características do processo produtivo.

As autoridades chinesas aceitaram abandonar o critério de tolerância zero para esses carregamentos, segundo o documento. Em resposta, o Ministério da Agricultura determinou que a certificação fitossanitária dos navios seja mantida mesmo que os laudos laboratoriais identifiquem a presença de ervas daninhas.

Ainda não existe um limite numérico oficial para a tolerância das plantas indesejadas. O percentual aceitável será definido em futuras negociações bilaterais entre Brasil e China. Até a definição, a avaliação das cargas seguirá baseada em análises de risco e medidas de mitigação conforme o destino dos produtos.

A China é o principal destino da soja brasileira, respondendo por cerca de 80% das exportações do produto. Recentemente, o governo brasileiro enviará representantes à China para tratar diretamente do tema e buscar um protocolo sanitário específico para o comércio da soja. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a qualidade da soja brasileira é comprovada e reconheceu a preocupação da China com as cargas.

O problema tem origem no final de 2023, quando o GACC, órgão chinês responsável pela fiscalização, informou ao Brasil que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos. Desde então, o governo chinês intensificou as cobranças e adotou uma postura rígida, passando a exigir a emissão de certificados fitossanitários apenas para cargas sem irregularidades.

Na prática, o Ministério da Agricultura passou a aplicar inspeções mais frequentes, o que resultou na suspensão de certificados para cargas que não atendem às normas vigentes. Sem a certificação, as cargas não podem ser entregues na China, o que impede que exportadores recebam os pagamentos.

Esse cenário levou a Cargill, uma das maiores empresas do setor, a interromper temporariamente suas exportações para a China. Procurada, a empresa informou que suas entidades representativas, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), emitiriam nota conjunta sobre o assunto. As associações afirmaram acompanhar atentamente os desdobramentos, mas não detalharam a situação.

Analistas de mercado avaliam que o impacto dessas devoluções será pontual e não deve afetar o volume total de soja exportado ao país asiático. Atualmente, há uma fila de navios nos portos brasileiros contendo cerca de 17 milhões de toneladas de soja, sendo 10 milhões destinadas à China.

Segundo especialistas, os 20 navios retidos correspondem a aproximadamente 1,2 milhão a 1,5 milhão de toneladas, número baixo em relação ao total previsto de 112 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar até o fim do ano.

As autoridades brasileiras continuam negociando com a China para evitar novos entraves e garantir a continuidade das exportações. O governo trabalha para estabelecer critérios claros e viáveis, de modo a assegurar o comércio bilateral sem prejudicar a qualidade do produto ou a segurança fitossanitária dos países envolvidos.

Palavras-chave relacionadas: soja brasileira, China, ervas daninhas, exportações, Ministério da Agricultura, certificação fitossanitária, soja, comércio internacional, GACC, acordo bilateral

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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