O governo federal avalia medidas para conter a alta do preço do diesel em meio ao aumento global do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio. Com o litro do combustível nas bombas subindo de R$ 6,08 para R$ 6,80 em apenas uma semana, as ações buscam evitar uma inflação ainda maior em ano eleitoral.
Os conflitos na região começaram após ataques liderados por EUA e Israel contra o Irã, que controla o Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A redução do fluxo comercial na área, segundo o Irã, elevou o preço do barril de US$ 60 para US$ 110 desde o início do ano.
A Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil, enfrenta o desafio de equilibrar o aumento do custo do petróleo e o impacto para o consumidor. Para suavizar a alta, o governo instituiu um pacote de medidas que inclui isenção de impostos federais e subvenção a produtores e importadores, com previsão de gastar R$ 30 bilhões para reduzir o preço final em R$ 0,64 por litro.
Como contrapartida, foi criado um imposto sobre a exportação de petróleo. Essa estratégia permite que a Petrobras eleve o preço do diesel nas refinarias sem repassar integralmente o aumento ao consumidor, evitando prejuízos e dividindo o impacto com o governo.
No entanto, essas ações ainda não mostraram resultados significativos. A isenção de PIS/Cofins representa cerca de 5% do valor do diesel, o que levou à inclusão da subvenção para ampliar o desconto. O governo também tentou envolver os estados na redução dos impostos estaduais, principalmente o ICMS, que equivale a quase 20% do preço final.
Os governadores, porém, recusaram a proposta de isentar o ICMS, alegando impactos negativos no financiamento das políticas públicas e questionando se o desconto seria repassado ao consumidor. Como alternativa, foi sugerida a isenção do ICMS sobre a importação do diesel até o fim de maio, com o governo reembolsando metade do valor não arrecadado.
Segundo o Ministério da Fazenda, essa medida custaria cerca de R$ 3 bilhões mensais, com R$ 1,5 bilhão ressarcidos pelo governo. A decisão final sobre essa proposta está prevista para 28 de março.
O diesel é fundamental para a logística da economia brasileira, impactando diretamente custos de transporte, alimentos, produtos industriais e serviços. Por isso, o governo reforçou a fiscalização da tabela do frete para prevenir que os caminhoneiros sofram prejuízos e evitar uma possível paralisação da categoria.
Economista Fábio Romão, da Logos Economia, prevê que a alta do diesel pode acrescentar 0,11 ponto percentual à inflação em 2026. Ele destaca que o aumento direto no diesel será sentido já neste mês, mas os efeitos indiretos devem se estender pelos próximos seis meses.
O governo mantém o foco em conter a escalada dos preços para evitar que o aumento do diesel pressione ainda mais a inflação, especialmente em um ano que antecede eleições. As medidas, no entanto, enfrentam resistências regionais e ainda buscam mostrar impacto concreto nos preços ao consumidor.
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Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com

