A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada recent

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A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada recentemente, tem provocado impactos econômicos globais, afetando diretamente países do Oriente Médio e além, principalmente devido ao aumento dos preços do petróleo e à interrupção do tráfego marítimo no Golfo Pérsico. Enquanto alguns países enfrentam severos prejuízos, outros buscam oportunidades estratégicas em meio à crise.

A instabilidade na região do Estreito de Ormuz, ponto crucial para o escoamento do petróleo, elevou os custos dos combustíveis e gerou impactos nas cadeias produtivas mundiais. O fechamento parcial do estreito pelo Irã afetou o transporte de petróleo e gás, causando um aumento nos preços globais e afetando empresas e consumidores.

A Rússia está entre os países que podem se beneficiar dessa nova conjuntura. Com o aumento dos preços do petróleo, Moscou tem ampliado suas receitas, já que o orçamento russo considera um preço médio do barril em US$ 59, enquanto o valor hoje ultrapassa os US$ 100. Além disso, a redução da produção dos países do Golfo abre espaço para a Rússia exportar mais para China e Índia.

O conflito também ajuda a Rússia de forma indireta ao desviar parte dos recursos militares dos Estados Unidos da Ucrânia para o Oriente Médio. No entanto, a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, representa um revés diplomático para Moscou, que vinha contando com a cooperação iraniana em tecnologia militar no começo da guerra na Ucrânia. Especialistas apontam que, atualmente, a Rússia já possui autonomia para produzir drones Shahed, fornecidos anteriormente pelo Irã.

A China, por sua vez, ainda não sente profundamente os efeitos da guerra, mas enfrenta pressões econômicas. Apesar de importar cerca de 12% do petróleo bruto do Irã, o país mantém estoques estratégicos e depende também da Rússia para garantir seu suprimento energético. O setor industrial exportador chinês, responsável por 20% do PIB do país, poderá ser afetado pela interrupção do tráfego marítimo, especialmente na rota do Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, onde ataques recentes a navios e a ameaça dos houthis dificultam a passagem.

A ampliação do trajeto para navios cargueiros que precisam contornar a África para alcançar o Atlântico aumenta em até 14 dias o tempo de transporte e eleva os custos logísticos em cerca de US$ 2 milhões por viagem. Além disso, o presidente chinês Xi Jinping utiliza o conflito como uma oportunidade para projetar sua imagem global e analisar possíveis reações do ex-presidente americano Donald Trump em questões internacionais sensíveis.

Nos países emergentes do sudeste asiático, a dependência do petróleo e gás do Oriente Médio trouxe medidas de austeridade para mitigar os impactos. No Vietnã, o preço do diesel subiu 60% desde o começo da guerra, e o governo recomenda o trabalho remoto. Nas Filipinas, cerca de 95% do petróleo é importado do Oriente Médio, o que levou a redução da jornada para servidores públicos. Paquistão e Bangladesh também adotaram restrições no uso de combustíveis, incluindo racionamento e teletrabalho para preservar seus estoques.

Os efeitos da guerra podem ir além da energia, atingindo a segurança alimentar mundial. Cerca de 30% da ureia, matéria-prima para fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz, e a instabilidade afeta a produção e o fornecimento global. Ataques a instalações da QatarEnergy, uma das maiores produtoras de gás e fertilizantes, resultaram na declaração de força maior, o que pode restringir ainda mais o mercado.

Especialistas alertam que essas limitações podem causar aumento da inflação e insegurança alimentar nos próximos meses, à medida que a produção agrícola sofra pela falta de insumos essenciais. O impacto total ainda está por se definir, mas pode se estender por até nove meses, segundo analistas.

A guerra no Irã movimenta uma complexa rede de interesses e consequências globais, com países enfrentando perdas econômicas significativas e outros encontrando oportunidades para avançar em seus objetivos estratégicos. O equilíbrio regional e mundial segue instável, e os desdobramentos da crise ainda têm potencial para influenciar o cenário internacional por um período prolongado.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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