A China devolveu cerca de 20 navios brasileiros com cargas de soja devido à presença de grãos misturados a ervas daninhas proibidas no país asiático. O episódio ocorreu neste ano e levou representantes do Ministério da Agricultura a programar uma viagem à China na próxima semana para tratar do assunto.
O país asiático é o principal destino da soja brasileira, respondendo por cerca de 70% das exportações do produto. Segundo o analista do mercado de soja da StoneX Brasil, Raphael Bulascoschi, a fiscalização chinesa detectou o problema no final de 2023. O órgão responsável na China, o GACC, apontou que carregamentos continham sementes proibidas e materiais estranhos.
Com a intensificação das cobranças recentes, o Ministério da Agricultura adotou uma postura de “tolerância zero” e passou a emitir certificados fitossanitários apenas para cargas que atendem rigorosamente às exigências chinesas. Sem esse certificado, as exportadoras ficam impedidas de entregar a soja na China e de receber o pagamento.
Nesse contexto, a empresa Cargill decidiu suspender temporariamente suas exportações para a China. A companhia afirmou que as associações do setor, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), publicaram uma nota conjunta sobre o tema. No documento divulgado em 12 de outubro, as entidades disseram acompanhar “de forma atenta” os desdobramentos, mas não detalharam medidas específicas.
O Ministério da Agricultura também informou ter realizado reuniões com as principais tradings e associações em busca de soluções para superar as dificuldades e garantir a qualidade dos produtos brasileiros exportados.
Analistas da Hedgepoint Global Markets consideram que o caso é pontual e que não deve afetar o volume total de soja exportado à China. Segundo Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado, cerca de 17 milhões de toneladas de soja aguardam saída dos portos brasileiros, sendo 10 milhões destinadas à China. Ela destaca que não houve atrasos relevantes nos embarques, o que indica ajustes nos processos de inspeção.
O coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da mesma empresa, Luiz Fernando Gutierrez Roque, estima que os navios devolvidos correspondem a entre 1,2 e 1,5 milhão de toneladas. Esse volume é considerado pequeno diante das 112 milhões de toneladas que o Brasil projeta exportar no ano.
A fiscalização rigorosa e a suspensão temporária de cargas mostram o cuidado da China em manter o controle fitossanitário sobre os produtos importados, em um momento de reforço das normativas para evitar a entrada de materiais proibidos. Por sua vez, o Brasil precisa adequar seus processos para atender a essas regras e preservar seu mercado externo.
Em resumo, as devoluções de cargas e a suspensão de embarques refletem tensões comerciais e regulatórias entre Brasil e China, embora não comprometam, até o momento, o fluxo geral das exportações de soja. O diálogo entre os governos e o setor privado é essencial para superar o impasse e garantir a continuidade das operações comerciais.
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Fonte: g1.globo.com
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