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A cantora Negra Li revisitou sua trajetória de

A cantora Negra Li revisitou sua trajetória de
  • Publishedmarço 18, 2026

A cantora Negra Li revisitou sua trajetória de 30 anos de carreira em entrevista ao g1 nesta quarta-feira (18), a três dias de sua apresentação no Lollapalooza 2026, que ocorre na sexta (20), em São Paulo. Ela destacou a importância da representatividade na música e como se tornou uma referência para jovens negras que, como ela na infância, ainda não tinham exemplos claros para se inspirar.

Negra Li contou que enfrentou desafios no início, principalmente por atuar em um ambiente dominado por homens. Ela afirmou que a disciplina foi fundamental para superar essas dificuldades e encontrar liberdade para expressar sua identidade. A cantora também comentou ter sofrido associações políticas relacionadas à sua fé evangélica, o que, segundo ela, tem mudado com o tempo. “Deus gosta de rap. Ele me permite estar e eu já consagrei tudo que eu faço”, disse.

Ao falar sobre representatividade, Negra Li lembrou que não encontrou figuras com as quais se identificasse na infância. “Eu me tornei a referência que tanto busquei, que tanto precisei na minha infância”, afirmou. Ela citou a influência da dançarina Adriana Bombom, assistente de palco do programa da Xuxa, e da atriz Taís Araújo na novela “Xica da Silva” como momentos inspiradores para sua formação.

Durante a conversa, a cantora também comentou sobre o reconhecimento tardio que percebeu em sua carreira. Citou o discurso da artista Ebony, vencedora do Women’s Music Awards como Melhor Artista Revelação, que mencionou a influência de Negra Li e ressaltou a importância de valorizar quem abriu caminhos. “Eu fui ignorada, não só por esse prêmio. E eu não falo com ego, tô falando como básico, olhando de fora pra dentro”, declarou.

Negra Li mencionou o apoio recebido do cantor Chorão na transição do rap para um estilo mais pop e dançante, mas ressaltou que enfrentou críticas devido à mudança no repertório. Ela relatou que chegaram a criar uma comunidade no Facebook intitulada “Eu odeio Negra Li”. Para ela, essas resistências refletiam a dificuldade de aceitar o rap como potência musical.

Ao comentar a música “Fake”, que fala sobre os haters e o uso excessivo das redes sociais, Negra Li revelou que passou por uma crise de ansiedade ligada à pressão das plataformas digitais. “Todo dia eu tenho vontade de me afastar das redes. A gente perde um tempão. Se você não tomar cuidado, você perde a noção da realidade”, avaliou. Ela destacou a preocupação com adolescentes e o impacto das redes sobre a saúde mental deles.

A cantora também lembrou sua participação no projeto “Poesia Acústica 7” e as críticas que recebeu por abordar temas sociais. Ela defendeu o papel do artista em levantar discussões importantes, citando questões como violência contra pessoas negras e feminicídio. “Não estamos vivendo no país das maravilhas. Vocês precisam acordar”, afirmou.

Sobre a recepção negativa, Negra Li comentou que desistiu de tentar convencer o público jovem, especialmente adolescentes. “Tava querendo convencer pessoas de 17 anos. Como vou fazer isso se não é só a música? Eles compram lifestyle. Eles compram aquela vida que brilha aos olhos deles”, explicou, destacando que sua vida cotidiana é diferente do que aparece nas redes sociais.

Negra Li segue como figura presente no cenário musical brasileiro, refletindo sobre sua trajetória e a responsabilidade de representar a população negra na indústria. Sua participação no Lollapalooza 2026 reforça seu papel consolidado no meio artístico após três décadas de carreira.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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