Pavel Talankin, ex-funcionário de escola na Rússia, venceu

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Pavel Talankin, ex-funcionário de escola na Rússia, venceu o Oscar de Melhor Documentário em 15 de março de 2024 com o filme “Mr Nobody Against Putin”. A obra retrata sua oposição ao regime de Vladimir Putin e os impactos da guerra na Ucrânia, além de sua experiência de exílio após deixar seu país por questões de segurança.

Antes da guerra, Pavel trabalhava como coordenador de eventos e videomaker em uma escola primária na cidade de Karabash, nos Montes Urais, região conhecida pela poluição ambiental. Com a invasão da Ucrânia em 2022, o Kremlin intensificou a militarização da educação russa, impondo conteúdos patrióticos e obedientes à máquina de propaganda oficial. Pavel recebeu ordens para filmar as atividades escolares alinhadas ao novo currículo, mas decidiu agir contra essas orientações.

Ele passou a enviar secretamente as imagens para o diretor americano David Borenstein, que mora em Copenhagen, na Dinamarca. A colaboração entre eles resultou no documentário vencedor, que expõe a doutrinação dos alunos russos, a presença do grupo mercenário Wagner ensinando aspectos militares e as consequências da guerra nas famílias locais. O filme apresenta ainda atos de resistência protagonizados por Pavel dentro da escola.

“Mr Nobody Against Putin” mostra cenas como a transformação dos símbolos pró-guerra “Z” em “X” nas janelas e a retirada da bandeira russa ao som do hino nacional dos Estados Unidos. O documentário também registra relatos de alunos mortos em combate e o sofrimento de seus familiares, evidenciando o impacto pessoal da guerra. Pavel descreve que adotou o humor como forma de enfrentar o ambiente opressor, mas reforça que sua atitude é “normal” e não uma demonstração de coragem.

A segurança de Pavel foi constantemente ameaçada, especialmente após ser identificado pelas autoridades. Em um momento de risco, ele recebeu orientações para apagar aplicativos seguros antes de deixar a Rússia e cruzar a fronteira. Atualmente, ele vive em local não divulgado na Europa, onde planeja retornar à Rússia após o fim do regime.

Desde o lançamento do filme, ocorrido no Sundance Film Festival em 2023, o documentário circula entre professores e moradores de Karabash, ainda dentro da Rússia. O filme também ganhou o BAFTA de melhor documentário em fevereiro, antes da vitória no Oscar. Pavel afirma que pretende usar o impacto de sua obra para mostrar a pessoas que compartilham seus pensamentos que não estão sozinhas.

Durante entrevista em Los Angeles, Pavel falou sobre a perda recente de um ex-aluno, Nikita, de 19 anos, morto na Ucrânia. Ele comentou que o jovem não teria ido ao front sem a influência da propaganda oficial. A história de Pavel Talankin evidencia o conflito entre o indivíduo e o Estado em tempos de guerra e destaca a importância da divulgação de informações em contextos autoritários.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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