Economia

Caminhoneiros enfrentaram filas de até 45 km no

Caminhoneiros enfrentaram filas de até 45 km no
  • Publishedmarço 15, 2026

Caminhoneiros enfrentaram filas de até 45 km no porto de Miritituba, no Pará, no fim de fevereiro, sem acesso a água potável, banheiro ou condições mínimas de descanso, devido ao volume elevado de carga e à falta de infraestrutura adequada. A situação expõe gargalos históricos no transporte da produção agrícola brasileira, que dependem majoritariamente de rodovias com condições precárias e capacidade limitada nos terminais portuários.

Motoristas que transportam a safra de soja do Mato Grosso para exportação relataram ficar dias parados dentro dos caminhões, enfrentando fome, falta de higiene e sono insuficiente. Álcool e água eram distribuídos por postos próximos ao porto, mas o acesso a esses recursos era restrito, segundo relatos. A espera prolongada gera prejuízos financeiros diretos, pois o pagamento do frete não cobre o tempo de parada nas filas.

A fila de caminhões chegou a se estender por 45 km, invadindo a BR-163, rodovia fundamental para o escoamento agrícola do Norte do país. A diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende, aponta que o gargalo aparece porque os portos não têm terminal para receber o volume de carga que chega simultaneamente, reflexo da falta de armazéns suficientes para armazenar a produção antes da exportação.

A maioria do transporte da produção agrícola brasileira é feita por caminhões, que suportam menos carga do que ferrovias e hidrovias, o que torna o custo do transporte mais elevado. Além disso, as rodovias brasileiras são em sua maioria não pavimentadas ou estão em condições ruins. Dados da CNT indicam que apenas 12,4% das estradas são pavimentadas.

O professor Thiago Péra, especialista em logística da Esalq-USP, explica que o consumo elevado de diesel nos caminhões e os danos frequentes causados pelas condições ruins das estradas aumentam o custo operacional do transporte e comprometem a competitividade do agronegócio. Buracos, má sinalização e estradas vicinais sem asfalto também contribuem para o aumento do desgaste dos veículos e atrasos nas entregas.

A falta de infraestrutura reflete na incapacidade do país em armazenar toda a produção agrícola. Segundo a CNT, o Brasil armazena cerca de 80% do volume gerado. Com a demanda superior à oferta de armazenamento, os caminhões acabam sendo usados como depósitos móveis, o que provoca congestionamentos nos portos e atraso no escoamento da produção.

Este problema ocorre com intensidade durante o período da safra, entre janeiro e março, quando a produção atinge seus picos. Caminhoneiros relatam queda no faturamento, pois muitas vezes ficam dias parados, o que prejudica o pagamento de custos relacionados ao veículo e despesas pessoais.

A infraestrutura deficiente no transporte também impacta o custo final dos produtos agrícolas. O aumento do custo do frete reflete no valor dos alimentos e demais bens, tornando a economia brasileira menos competitiva. A necessidade de percorrer rotas mais longas e com condições piores resulta em maior consumo de combustível e tempo de viagem.

Segundo especialistas, o Brasil investe apenas entre 0,4% e 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual inferior ao de países como Estados Unidos e China, que destinam cerca de 2% do PIB. O baixo investimento limita a expansão e manutenção da malha rodoviária, ferroviária e hidroviária, elevando custos e reduzindo a eficiência do transporte.

Tanto a ampliação da infraestrutura existente quanto o investimento em multimodalidade são apontados como soluções para melhorar o escoamento da safra e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro. A integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias poderia otimizar o fluxo de cargas e reduzir os gargalos observados nos portos e estradas.

O caso da fila em Miritituba evidencia desafios estruturais que afetam toda a cadeia logística do setor agrícola nacional, destacando a necessidade urgente de avanços em infraestrutura, armazenamento e gestão dos modais de transporte para sustentar o crescimento das exportações e reduzir os prejuízos enfrentados por caminhoneiros e produtores.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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