A importação de morangos do Egito tem reduzido

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A importação de morangos do Egito tem reduzido o preço da fruta e gerado preocupação entre produtores da Região Serrana do Espírito Santo neste ano. A chegada do produto estrangeiro, vendido a cerca de R$ 8 o quilo, dificulta a competição no mercado local, onde o custo de produção varia entre R$ 15 e R$ 16 o quilo.

Em 2023, o Brasil importou cerca de 42 mil toneladas de morangos egípcios, um aumento significativo em relação às pouco mais de 4 mil toneladas compradas em 2022. O preço mais baixo do produto importado tem pressionado os agricultores capixabas, que enfrentam aumento nos custos de produção, estimado em 15% nos últimos 12 meses.

Produtores locais, como Regilvan Barbosa, de Santa Maria de Jetibá, afirmam que a situação afeta diretamente a agricultura familiar da região, uma importante produtora do estado. O Espírito Santo ocupa a quarta posição entre os maiores produtores brasileiros de morango, com uma produção anual que gira em torno de 10 mil toneladas.

Santa Maria de Jetibá, junto com Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio, compõe o Polo de Morango do Espírito Santo, principal área de cultivo da fruta no estado. A pressão pelos preços baixos tem desestimulado novos plantios, segundo cooperativas locais.

Para tentar manter a competitividade, cooperativas que comercializam morango congelado para a indústria reduziram o valor pago aos agricultores. Geovane Schulz, diretor comercial de uma cooperativa em Santa Maria de Jetibá, destacou que a fruta egípcia possui características que agradam à indústria, especialmente em sabor, devido ao clima do Egito.

O preço recebido pelos produtores locais caiu de cerca de R$ 7,50 por quilo para uma faixa entre R$ 2,50 e R$ 5. Esse cenário compromete a sustentabilidade da produção regional e a renda das famílias que dependem exclusivamente da cultura do morango.

Diante da situação, o governo do Espírito Santo enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando que a Câmara de Comércio Exterior analise a possibilidade de elevar a tarifa de importação da fruta. A alíquota atual é de aproximadamente 4%, considerada insuficiente para proteger os produtores locais.

O secretário estadual de Agricultura, Ênio Bergoli, afirmou que o objetivo é buscar um equilíbrio entre o custo de produção local e o preço da importação, “para garantir uma relação justa de mercado”. A importação ocorre principalmente na forma ultra congelada, utilizada pela indústria para fabricação de sucos e polpas.

Especialistas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) recomendam que os agricultores diversifiquem as lavouras para reduzir riscos econômicos provocados pela concorrência do morango importado. No entanto, a transição para outras culturas demanda tempo e pode afetar a renda de famílias que dependem exclusivamente do morango.

O atual cenário representa um desafio para a produção capixaba da fruta e impacta diretamente a economia regional. Produtores enfrentam perdas financeiras e desinteresse em novos plantios, enquanto o mercado brasileiro recebe volumes crescentes do produto estrangeiro a preços inferiores.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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