O filme de animação “Guerreiras do K-Pop”, lançado em 2023 pela Sony Pictures Animation para a Netflix, chama atenção pela técnica visual pouco convencional que exibe movimentos menos fluidos e quadros repetidos, semelhantes ao stop-motion. Essa escolha estética, chamada de “animar em dois” (on twos), cria uma experiência visual que interfere na forma como o cérebro processa o movimento, gerando uma resposta particular do espectador.
O animador Marcelo Zanin, com mais de 15 anos de experiência e que trabalhou em “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso”, explica que a técnica “on twos” não é novidade na animação tradicional. O que muda é a aplicação dela em animação 3D, estratégia que a equipe de “Guerreiras do K-Pop” adotou para produzir um efeito visual único. Essa técnica consiste em repetir quadros em pares, resultando em 12 imagens por segundo, ao invés dos 24 que costumam ser usados nas animações 3D recentes.
A técnica “animar em dois” tem raízes no início do século XX e foi uma forma de economizar tempo e recursos na animação feita à mão, sem perda significativa da percepção fluida pelo público. Zanin destaca que o cinema de animação passa por variações constantes no estilo e na demanda do público, como episódios notórios com “Toy Story”, “Shrek” e “Enrolados”, e que “Guerreiras do K-Pop” está inserido nesse movimento de mudanças estéticas.
Do ponto de vista neurológico, a técnica ativa um mecanismo perceptual conhecido como “coding perceptual”, explicado pelo neurologista João Brainer, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, o cérebro tende a completar imagens fragmentadas quando a animação exibe quadros repetidos e menos fluidez. Esse processo, chamado de interpolação processual, exige maior atenção do espectador, que é constantemente chamado a integrar as informações visuais incompletas.
Brainer relaciona também o efeito das imagens fragmentadas de “Guerreiras do K-Pop” a estudos recentes sobre o aumento da excitação cerebral em usuários de plataformas como o TikTok, onde conteúdos rápidos e dinâmicos estimulam zonas de prazer. A animação provoca uma sensação de expectativa no cérebro, que é rapidamente satisfeita, evitando a ansiedade prolongada ou sofrimento.
Apesar da ativação cerebral associada à dopamina, substância ligada ao prazer e ao vício, o neurologista esclarece que a técnica não gera vício. A quantidade de dopamina liberada durante o processo visual é suficiente apenas para provocar a vontade de rever o conteúdo, sem levar à dependência.
“Guerreiras do K-Pop” é uma produção que mistura elementos do folclore asiático, coreografias e estética pop para contar a história de um grupo feminino de cantoras que, na vida real, enfrentam batalhas sobrenaturais. O filme conquistou o público e a crítica, se tornando o longa original mais assistido na Netflix e emplacando sete músicas no top 20 global do Spotify. Sucessos como “Golden” e “Your Idol” ajudaram a transformar personagens fictícias em ícones do K-Pop na cultura digital.
A escolha por uma animação que parece “bugada” para muitos corresponde a uma estratégia consciente que se apoia em fundamentos técnicos, históricos e neurológicos. Ela cria uma experiência visual distinta que captura a atenção e gera engajamento, reforçando o impacto cultural do filme.
—
Palavras‑chave para SEO: animação on twos, Guerreiras do K-Pop, animação 3D, técnica de animação, interpolação processual, percepção visual, neurologia e animação, Sony Pictures Animation, Netflix, trilha sonora K-Pop, influência do K-Pop, animação stop-motion, efeitos visuais no cinema, fenômeno cultural K-Pop.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

