Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná

Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná enfrentam dificuldades para encontrar diesel e denunciam aumento nos preços do combustível durante a colheita de arroz e soja. O problema ocorre em abril de 2024 e afeta o abastecimento das máquinas agrícolas essenciais para a produção.
No RS, produtores relatam que o diesel saiu de R$ 5 para R$ 7 o litro em poucos dias. Em Pelotas, Fernando Rechsteiner afirma ter sido colocado em lista de espera para receber o combustível. No Paraná, a distribuidora da região de Rio Azul não dispõe mais de diesel, segundo o técnico Luiz Eliezer Ferreira, da FAEP. Relatos semelhantes vêm de Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati.
Em Erechim, no norte do Rio Grande do Sul, cerca de 20% dos produtores também encontram dificuldade para compra do combustível, e o preço subiu entre 20% e 55%, conforme o presidente do Sindicato Rural local, Allan Tormen.
As queixas surgem uma semana após o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que impulsionou o preço do barril do petróleo para cerca de US$ 100 no mercado internacional. Apesar disso, a Petrobras ainda não reajustou oficialmente os preços no Brasil, embora o diesel tenha tido alta de 7% no início de março.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que não existe falta de combustível no país e que os estoques no Rio Grande do Sul são suficientes para garantir o abastecimento. A agência notificou distribuidoras para esclarecer a situação dos estoques e pedidos.
Produtores e associações suspeitam de movimentação especulativa e possíveis restrições nas importações, o que poderia agravar o problema. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras (Sindicom) optou por não se manifestar, e a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) não respondeu aos pedidos de informação, mas defende a importação reduzida de biodiesel para conter a alta dos preços.
O abastecimento do diesel no campo depende de Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs), que entregam o combustível diretamente nas propriedades. Segundo o diretor do SindTRR-RS, Carlos Schneider, as TRRs não possuem contratos fixos com as distribuidoras e operam como clientes “spot”, ficando em último na fila para receber o produto. Muitas delas estariam sem receber diesel por “indisponibilidade” alegada pelas distribuidoras.
O economista Antônio Luz, da Farsul, avalia que a falta de diesel e a alta de preços indicam um possível movimento especulativo. Ele acrescenta que o combustível vendido hoje foi adquirido quando o petróleo custava menos de US$ 60 e que o estoque estaria sendo retido para venda futura a valores maiores.
Schneider destaca que o Brasil importa entre 25% e 30% do diesel consumido nacionalmente e sugere que as distribuidoras podem estar reduzindo suas cotas de importação para evitar prejuízos, afetando o abastecimento. Para Allan Tormen, as TRRs também podem estar antecipando compras para se proteger de novos aumentos.
Diante das denúncias, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou investigação sobre preços abusivos de combustíveis, após pedido da Secretaria Nacional do Consumidor na terça-feira (10).
Para tentar conter a escalada dos preços, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou aumento na mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 17%. A Abicom e outras entidades, como Fecombustíveis e Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), defendem a ampliação da importação de biodiesel para até 20% do consumo nacional, conforme nota conjunta.
A crise no abastecimento e o aumento do diesel refletem os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio no mercado brasileiro. O encarecimento do combustível pode elevar os custos da produção agrícola e, consequentemente, influenciar o preço dos alimentos no país.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com