Pesquisadores desenvolveram os chamados “cristais de memória

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Pesquisadores desenvolveram os chamados “cristais de memória”, nanoestruturas em vidro que podem armazenar dados em cinco dimensões e têm potencial para transformar o armazenamento massivo de informações. A descoberta foi feita em 1999 no Japão e poderá ajudar a reduzir o consumo energético e o impacto ambiental dos atuais centros de dados.

Durante experimentos na Universidade de Kyoto, pesquisadores liderados por Peter Kazansky notaram um comportamento incomum da luz ao ser disparada por lasers ultrarrápidos sobre vidro de sílica. Essa luz apresentou dispersão diferente da conhecida dispersão de Rayleigh, indicando a formação de nanoestruturas internas, criadas por microexplosões no material. Essas estruturas, imperceptíveis a olho nu, armazenam informações em cinco dimensões combinando intensidade, polarização e posição da luz.

Desde então, Kazansky e sua equipe desenvolveram a tecnologia para escrever e ler dados nesses cristais de vidro por meio de microscópios ópticos especializados. O método exige energia apenas para a gravação, dispensando consumo durante a manutenção ou leitura dos dados. Um disco de vidro de cinco polegadas pode conter até 360 terabytes, e sua durabilidade pode alcançar milhares de anos, desde que protegido contra quebras.

Essa inovação surge diante da crescente demanda por armazenamento de dados, impulsionada pela internet, inteligência artificial e dispositivos conectados. Atualmente, os centros de dados consomem aproximadamente 1,5% da eletricidade mundial, número que pode dobrar até 2030, além de gerar milhões de toneladas de emissões de carbono. Manter dados “frios”, armazenados mas raramente acessados, envolve altos custos energéticos e desafios logísticos.

Além dos cristais de memória, outras tecnologias alternativas ganham destaque, como o armazenamento em DNA, que oferece alta densidade e longa durabilidade sem necessidade constante de energia. A Microsoft tem investido em pesquisas para desenvolver soluções em vidro e DNA, mas ambas ainda enfrentam obstáculos relacionados à velocidade de acesso, compatibilidade com infraestrutura atual e custos.

Especialistas alertam que, embora essas inovações sejam promissoras para armazenamento a longo prazo, é pouco provável que substituam sistemas convencionais no curto prazo. A eficiência energética dos centros de dados pode ser melhorada por meio de avanços em hardware, refrigeração e otimização de software. Além disso, há um crescente debate sobre a necessidade real de armazenar a enorme quantidade de dados gerados cotidianamente.

Kazansky fundou a empresa SPhotonix em 2024 para comercializar os cristais de memória e já contou com aportes financeiros de US$ 4,5 milhões. A companhia planeja testar protótipos em centros de dados nos próximos anos, buscando aprimorar velocidade e robustez da tecnologia. Enquanto isso, o mercado e a academia acompanham os avanços para identificar qual solução melhor atenderá à crescente demanda por armazenamento sustentável e eficiente.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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