A inflação na Argentina registrou 2,9% em fevereiro de 2025, maior nível em quase um ano, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta quinta-feira (12). O índice manteve-se estável em relação a janeiro, elevando a variação acumulada em 12 meses para 33,1%.
Ao longo de 2024, o ritmo mensal da inflação apresentou melhora, especialmente no primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei. No entanto, a inflação voltou a acelerar a partir de maio de 2025, com taxas mensais entre 2% e 3%, refletindo o cenário econômico e político do país.
A elevação dos preços está vinculada ao ajuste econômico promovido por Milei desde sua posse em dezembro de 2023. Sua administração interrompeu repasses a estados, paralisou obras federais e eliminou subsídios a serviços essenciais como água, gás, luz e transporte público, gerando impacto direto nos custos para consumidores.
A recessão aprofundou-se no período, mas o governo obteve resultados positivos em superávits fiscais e reconquistou parte da confiança dos investidores. Paralelamente, a pobreza inicialmente aumentou para 52,9% da população no primeiro semestre de 2024, diminuindo para 31% no mesmo período de 2025.
No terceiro trimestre de 2025, uma crise política comprometeu a estabilidade do governo após o vazamento de um áudio que envolve Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente, sob suspeita de corrupção. A situação repercutiu nas eleições de setembro na província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral do país, com derrota significativa de Milei.
Após o pleito, o peso argentino sofreu forte desvalorização, atingindo recorde histórico perto de 1.423 pesos por dólar, e acumulando queda de quase 40% no ano, influenciando negativamente o cenário inflacionário. A instabilidade financeira motivou intervenções pelo Banco Central para conter a disparada do câmbio.
A partir de outubro de 2025, a situação começou a apresentar sinais de melhoria ao ser firmado um acordo bilateral de swap cambial no valor de US$ 20 bilhões entre Argentina e Estados Unidos. Posteriormente, outro pacote do mesmo tamanho ampliou o suporte financeiro para US$ 40 bilhões, elevando as reservas em dólares e recuperando a confiança dos mercados.
Com o apoio financeiro americano, Milei obteve vitória nas eleições para a Câmara dos Deputados e Senado em 26 de outubro, reforçando seu programa de reformas econômicas e controlando a valorização do dólar frente ao peso.
No início do governo, o presidente também firmou acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para empréstimo de US$ 20 bilhões, com a primeira parcela de US$ 12 bilhões liberada em abril de 2024. O pacote reforça a visão do FMI sobre a viabilidade do programa econômico, apesar da dívida histórica argentina que ultrapassa US$ 40 bilhões com o fundo.
A prioridade da gestão Milei é a redução da inflação para níveis abaixo de 2% ao mês, permitindo a eliminação dos controles de capitais vigentes desde 2019, que limitam a compra de moeda estrangeira. Contudo, a recente deterioração do câmbio levou o governo a retomar intervenções no mercado de moedas.
Nos últimos meses, governo e Banco Central implementaram medidas monetárias, fiscais e cambiais para aumentar a oferta de dólares e fortalecer o cumprimento do acordo com o FMI. Em maio de 2025, autorizou-se o uso de dólares guardados fora do sistema financeiro sem a obrigação de declarar a origem. Em junho, flexibilizou-se o uso de pesos e dólares em títulos públicos, além do lançamento de um plano para captar US$ 2 bilhões em empréstimos.
Pouco antes das eleições em Buenos Aires, a crise cambial resultou em novas ações do governo para estabilizar o mercado, controlar a inflação, reforçar reservas internacionais e atrair investimentos, enquanto mantém o ajuste fiscal e econômico em curso.
O conjunto de medidas busca assegurar a continuidade das reformas e fortalecer a economia argentina diante dos desafios políticos e financeiros recentes, com meta clara de restaurar a estabilidade econômica e conter a alta dos preços ao consumidor.
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Fonte: g1.globo.com
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