Gabriel Domingues, diretor de elenco do filme “O agente secreto”, está indicado ao Oscar de melhor seleção de elenco, categoria que estreia na premiação em 15 de março de 2024, em Los Angeles. A indicação reconhece seu trabalho na escolha do elenco diversificado e pouco conhecido da produção.
Carioca de 36 anos, Domingues entrou na seleção de elenco quase por acaso, enquanto pesquisava para o roteiro do filme “Corpo elétrico” (2017). Com formação em Comunicação Social e pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, ele começou como assistente de elenco em “Aquarius” (2016), trabalho que o aproximou do cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de “O agente secreto”.
Domingues desenvolveu um método que valoriza o interesse pelas pessoas e sua contribuição para a narrativa, buscando criar histórias vivas e coerentes. Para ele, o trabalho de seleção exige encontrar atores cujas personalidades e características acrescentem significados ao filme.
Além do trabalho como diretor de elenco, Domingues atua como roteirista. Entre seus créditos estão o premiado filme “Baby” (2024), de Marcelo Caetano, e “Yellow Cake” (estreia prevista para 2026), projeto de ficção científica do diretor Tiago Melo, no qual trabalhará a atriz Tânia Maria, uma das revelações de “O agente secreto”.
O trabalho de Domingues em “O agente secreto” envolveu a análise de mais de 2 mil inscrições e uma busca ativa em diferentes regiões do Brasil, valorizando as cenas culturais locais no cinema, teatro e música. Ele destaca essa conexão com o país como um aspecto que o mobiliza e alimenta sua paixão pelo trabalho.
Essa descentralização geográfica refletiu-se no elenco, que reúne atores de estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Muitos desses artistas têm em comum participações anteriores em projetos ligados a Domingues, como a série “Cangaço novo”.
Entre os nomes do elenco estão Alice Carvalho, que ganhou visibilidade após o trabalho, e Joálisson Cunha, até então pouco conhecido. Domingues ressalta a importância do contato direto com as cenas locais para descobrir talentos e enriquecer o filme com diferentes sotaques e vivências.
O preparo do elenco buscou criar personagens com perfis distintos, como o papel do potiguar Kaiony Venâncio, descrito pelo diretor como um personagem com uma “pulsão de estranheza”, e o ator mineiro Luciano Chirolli, que incorpora uma “paulistanidade industrial”.
O processo de seleção também envolveu experiências emocionais, como aponta Domingues ao lembrar da estreia de Laura Lufési, atriz mineira escolhida para interpretar a personagem que conecta passado e presente na trama. Lufési participou de testes em vídeo com roupas de época e fitas cassete, aprovou no processo e contracenou com Wagner Moura em seu primeiro trabalho no cinema.
Domingues afirmou sentir gratidão por ter possibilitado esse início para a atriz e destaca o impacto humano do trabalho técnico. A indicação ao Oscar amplia o reconhecimento do diretor de elenco por sua contribuição para o sucesso de “O agente secreto”, que também concorre em outras categorias da premiação.
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Fonte: g1.globo.com
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