O TikTok removeu vídeos relacionados à trend “treinando caso ela diga não”, que simulava agressões contra mulheres, após reportagens e o início de investigação da Polícia Federal (PF). A ação ocorreu na segunda-feira (9), após o g1 mapear os conteúdos que estimula violência e incitam agressões.
Nas publicações analisadas, os criadores encenavam pedidos de namoro ou casamento, seguidos da frase “treinando caso ela diga não” ou variações, e depois simulavam reações agressivas diante da rejeição. As encenações incluíam socos em objetos, movimentos de luta e golpes com faca. Ao menos 20 vídeos foram retirados do ar.
O TikTok afirmou que os conteúdos violavam suas Diretrizes da Comunidade e que os vídeos foram removidos após serem identificados pela equipe de moderação. Apesar disso, os perfis que publicaram os conteúdos seguem ativos na plataforma.
A trend ganhou força nas últimas semanas, próxima ao Dia Internacional das Mulheres, e repercutiu nas redes sociais. A análise do g1 identificou vídeos publicados entre 2023 e 2025 por perfis com público variando de 883 a 177 mil seguidores, somando mais de 175 mil interações.
Um dos vídeos que voltou a circular foi o do influenciador digital Yuri Meirelles, conhecido por participar do clipe “Funk Rave”, de Anitta, e do reality show “A Fazenda”. Após a repercussão, ele apagou o vídeo e publicou um pedido de desculpas, dizendo que a publicação havia sido uma “brincadeira”.
“Na época, foi uma brincadeira, uma trend que estava tendo, que você mostrava golpes que faria na sua mulher se ela não aceitasse o pedido de casamento”, afirmou. Ele disse ainda sentir vergonha do vídeo e pediu desculpas publicamente.
A Polícia Federal instaurou um procedimento investigativo para apurar a divulgação desses conteúdos que incitam violência contra mulheres em redes sociais. A investigação começou após uma denúncia sobre a trend e levou à solicitação da preservação dos dados e remoção do material pela plataforma.
A corporação informou que outros vídeos vinculados à mesma tendência foram reportados e removidos. As informações coletadas serão analisadas para possíveis medidas legais.
Além disso, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve votar um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue publicações semelhantes e avalie a responsabilização criminal por apologia à violência contra as mulheres.
Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), explicou que conteúdos com apelo violento tendem a viralizar rapidamente porque geram alto engajamento, favorecendo o modelo de negócios das plataformas.
“As plataformas não gostam de remover conteúdo, principalmente esses conteúdos que são virais. Para o modelo de negócio delas é bom, traz lucro. Então elas lucram com esse tipo de conteúdo”, afirmou Raquel.
Ela acrescentou que vídeos educativos sobre violência contra a mulher têm menor alcance e dificilmente viralizam tanto quanto conteúdos que incentivam a agressão.
Os registros mais antigos dessa trend surgiram em publicações fora do Brasil, com vídeos em inglês que mostram a mesma ideia de simular reações violentas após rejeições femininas.
A mobilização em torno da remoção dos vídeos e da investigação reforça o debate sobre a responsabilização de plataformas digitais diante da disseminação de conteúdos que incentivam a violência contra as mulheres.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

