O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) um acordo com seus principais credores para a apresentação de um plano de recuperação extrajudicial com o objetivo de reorganizar suas finanças diante de uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões. A medida é uma tentativa de evitar o processo judicial mais complexo e longo, mantendo as operações da empresa em funcionamento.
A recuperação extrajudicial permite que o GPA renegocie parte de suas dívidas diretamente com credores, fora da esfera judicial, buscando prazos mais longos ou melhores condições de pagamento. O acordo já conta com o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no plano, equivalente a aproximadamente R$ 2,1 bilhões, superando o mínimo necessário para iniciar o processo.
O GPA enfrenta dificuldades financeiras há vários anos, agravadas pela alta inflação dos alimentos, juros elevados, custos internos de gestão, pagamentos fiscais e trabalhistas e perdas em lojas com baixo desempenho. Esses fatores pressionaram os resultados financeiros da companhia desde 2022, com prejuízos líquidos anuais.
No final de 2025, a empresa apresentava déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão, resultado do volume de empréstimos e títulos com vencimento em 2026. Apesar de melhora nas vendas, o grupo continuou registrando prejuízos, inclusive um de R$ 651 milhões em 2025, encerrando o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta de R$ 4 bilhões.
Em nota explicativa divulgada no início de 2026, o GPA destacou a existência de incertezas significativas sobre sua capacidade de continuidade operacional. Para mitigar riscos, a empresa já havia iniciado negociações para alongamento dos prazos das dívidas, redução dos custos financeiros e monetização de créditos tributários.
No campo acionário, o grupo francês Casino, antigo controlador, detém atualmente 22,5% das ações, enquanto o Grupo Coelho Diniz passou a ser o principal acionista com 24,6%. Mudanças na liderança também marcaram o grupo: André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração em outubro de 2025, Marcelo Pimentel renunciou ao cargo de presidente-executivo e Alexandre de Jesus Santoro assumiu a presidência executiva em 2026.
O GPA opera atualmente 728 lojas no Brasil, distribuídas entre as bandeiras Pão de Açúcar, Extra Mercado, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar. As ações do grupo apresentaram alta acumulada de 9,64% nos últimos 12 meses.
O plano de recuperação extrajudicial prevê a suspensão temporária dos pagamentos das dívidas incluídas no acordo, enquanto as negociações para revisão das condições seguem em curso. A iniciativa visa melhorar o perfil do endividamento e fortalecer o balanço financeiro do grupo, com foco na sustentabilidade financeira a longo prazo.
O GPA afirmou que o plano foi estruturado para preservar a operação do negócio durante as tratativas com os credores, evitando impactos negativos para o funcionamento das lojas e serviços. A companhia busca o apoio da maioria dos credores para consolidar a reorganização financeira.
Com este acordo, o Grupo Pão de Açúcar tenta contornar os problemas financeiros sem recorrer à recuperação judicial, que envolve um processo mais rígido, complexo e demorado.
—
Palavras-chave: Grupo Pão de Açúcar, GPA, recuperação extrajudicial, dívida, crise financeira, supermercados, Pão de Açúcar, credores, endividamento, reestruturação financeira, mercado varejista.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

