Os ministros dos países do G7 realizam nesta segunda-feira (9), na Europa, uma reunião emergencial para discutir o impacto econômico da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, especialmente a alta nos preços do petróleo. O encontro, conduzido pela França, que detém a presidência rotativa do grupo, ocorre no décimo dia do intenso conflito no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte de cerca de um quinto do petróleo mundial, está praticamente bloqueado desde o início da guerra, provocando disparada nos preços internacionais do petróleo. O barril ultrapassou os US$ 100 pela primeira vez desde 2022, o que pode levar a aumentos ainda maiores nos valores da gasolina globalmente.
Os mercados asiáticos foram diretamente afetados, com quedas acentuadas nas bolsas regionais. O índice Nikkei 225, do Japão, encerrou o pregão com queda de mais de 5%. Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%, fazendo com que o mercado fosse suspenso por 20 minutos pelo “circuit breaker”, mecanismo que evita vendas em pânico; o fechamento se deu com recuo de 6%.
Durante a reunião, os ministros do G7 devem avaliar a possibilidade de liberar conjuntamente reservas estratégicas de petróleo para conter a escalada dos preços. Esse estoque é coordenado pela Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne 32 países com reservas estratégicas preparadas para crises de oferta. Fontes próximas às negociações afirmam que Estados Unidos, França e outros membros apoiam essa medida.
A interrupção no fornecimento energético na região do Golfo Pérsico causa preocupação global, já que a paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz afeta diretamente a oferta mundial de petróleo. Analistas projetam que a tendência é de alta nos preços enquanto o conflito persistir, especialmente diante dos sinais de um confronto prolongado.
Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, destacou que o aumento era esperado, devido à paralisação na produção em países do Golfo e ao cenário de conflito que não indica resolução rápida. Ele afirmou que as expectativas dos EUA para uma solução rápida tornam-se menos realistas com o desenrolar dos acontecimentos.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump minimizou o impacto da alta nos preços do petróleo, afirmando que o custo temporário é um “preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz”. No domingo, ele usou sua rede social para reforçar essa posição. Por outro lado, o secretário de Energia, Chris Wright, destacou que Israel, e não os EUA, é o principal responsável pelos ataques contra a infraestrutura energética iraniana.
Dados divulgados pela associação de motoristas AAA apontaram um aumento de 11% no preço médio da gasolina comum nos EUA na última semana, atingindo US$ 3,32 por galão. Essa elevação reflete os efeitos diretos das tensões no Oriente Médio e preocupa consumidores e autoridades.
No campo político iraniano, o país nomeou Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo, substituindo seu pai, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia do conflito. Mojtaba, de 56 anos, não possui histórico público na política e é conhecido por sua discrição. A nomeação reforça a continuidade do comando da ala linha-dura no Irã, contrariando expectativas de mudanças.
O presidente Trump já manifestou sua rejeição à escolha de Mojtaba Khamenei, que considera “inaceitável”. A sucessão desafia princípios da República Islâmica, que tradicionalmente escolhe o líder supremo por qualidades religiosas e políticas, e não por herança familiar.
Nos últimos dias, Estados Unidos e Israel intensificaram ataques aéreos contra infraestruturas iranianas, incluindo depósitos de petróleo. Em resposta, o Irã realizou ataques contra instalações energéticas em países vizinhos do Golfo. Na noite de domingo, a Arábia Saudita informou a interceptação e destruição de duas ondas de drones dirigidos a um campo petrolífero importante.
A escalada do conflito e seus efeitos na oferta de petróleo ameaçam impactar a economia global, com insegurança nos mercados e risco de aumento dos custos para consumidores e empresas em diversas regiões do mundo.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

